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O Estadão acabou

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Por WAGNER VILARON

Tive duas passagens pelo jornal O Estado de S. Paulo. Fui de repórter a colunista, duas das atividades que mais me orgulham na carreira. Enfim, graças a esta experiência, tenho recebido várias mensagens de amigos pedindo opinião/informação sobre os últimos episódios, marcados por tantas demissões ocorridas na empresa.

Algumas considerações:

O Jornal Estadão acabou! Mesmo destino de seu irmão mais jovem, o Jornal da Tarde, morto e enterrado dois anos atrás. Isso não significa que o jornalismo tenha acabado. Apenas passa por um processo de transformação. Informação e comunicação sempre serão necessidades básicas do ser humano.

Os processos, os veículos, os meios e as ferramentas é que mudam. Sendo assim, tenho certeza que a direção da empresa sabe que seu jornal em papel vai morrer e prepara a transferência de seu conteúdo integral para o online. Ou seja, a produção de conteúdo continuará sendo necessária. Mudará a plataforma de publicação do mesmo.

Quer dizer que todos os jornais impressos do mundo vão acabar?

Acredito que um dia, sim! Mas talvez isso não aconteça tão rapidamente como alguns imaginam. Países desenvolvidos, que contam com mercado leitor grande, ainda absorvem esse tipo de mídia e conseguem lucro com ela.

Os jornais impressos têm diversos problemas, dois complicadíssimos: o primeiro é o custo de produção. O papel é todo importado, as máquinas de impressão são gigantescas, muitas ultrapassadas e de manutenção difícil. Como se não bastasse, a logística de distribuição, então, nem se fala. São caminhões, carros, motos, bicicletas e até navios e aviões para fazer o periódico chegar aos leitores. E toda esta operação necessita de muita gente contratada para funcionar.

E tudo isso para entregar um produto velho, pouco atrativo. Sim, porque é neste ponto que está o segundo, e na minha opinião, maior desafio dos impressos: cativar novos leitores.

Ler jornais é um hábito que não se transfere às novas gerações!

Só vejo uma saída para os jornais tentarem se manter interessantes e fazerem com que as pessoas ainda tenham interesse em folhea-los no dia seguinte. Investir em três linhas de trabalho:

– furos de reportagem

– time exclusivo de articulistas de primeira linha.

– grandes reportagens.

Sim, nenhuma novidade. Nada mais do que revisitar a essência do jornalismo. Então por que não fazem isso? Simples: todas as três frentes citadas requerem profissionais de primeira linha, gente talentosa, experiente e, portanto, “cara”. Resumindo, seria preciso investir.

Ocorre que entre diminuir a retirada de dinheiro dos donos para melhorar o produto ou sacrificar o produto para manter os lucros, a opção é sempre pela segunda. Não é por acaso que as listas de dispensas são, invariavelmente, encabeçadas pelos funcionários com mais tempo de casa, com salários melhores. Bem feito para eles que se dedicaram por tanto tempo!

Resultado: vão morrer abraçados com a galinha dos ovos de ouro.

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