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Suplicy em dia de Rattín

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Por ROBERTO VIEIRA

Prezado Senador Suplicy,

O cartão vermelho foi criado no futebol após a Copa de 1966. Tudo por causa do jogo Inglaterra x Argentina, quando os ingleses botaram o juiz no bolso. Jogo em que o capitão argentino fez papel de bobo tentando se explicar ao árbitro alemão Rudolf Kreitlein.

Claro, o capitão Ubaldo Rattín foi mandado mais cedo pro chuveiro. Imagine um argentino tentando mudar a decisão de um juiz alemão no calor de um jogo depois do assalto ao trem pagador! Só podia dar nisso.

Pois nessa terça-feira, o senhor deu um cartão vermelho para outro senador, no caso, o presidente do Senado José Sarney. Um cartão que não valeu absolutamente de nada. Um cartão depois que o jogo acabou. Depois que o pau cantou e a Argentina, digo os brasileiros, foram derrotados.

O senhor me desculpe senador, mas o senhor jogou para as câmeras, jogo que cabe muito melhor no seu filho Supla.

Foi um gesto de Suplicy em dia de Rattín.

Fosse apenas jogo de cena senador, tudo ficaria muito bom, muito bem.

Fosse apenas jogo de futebol senador, a gente ia pra casa esfriar a cabeça.

Mas esse jogo senador vale mais que três pontos. Vale mais que uma quarta-de-final de Copa do Mundo. O povo assiste a um jogo de cartas marcadas. Um Alemanha x Áustria em 82. Ou quem sabe, um Argentina x Peru de 78?

Talvez por isso o plenário tenha ficado vazio. Talvez por isso nas próximas eleições todos os comícios devessem estar vazios. Como ficam os estádios nos dias de pelada, quando o jogo não vale mais nada. Quando o jogo é só pra cumprir tabela.

Pense bem, senador, pois tenho certeza que o senhor é um dos últimos que pensam. Um dos últimos que ainda se interessam pela sorte do Senado. Um dos últimos que ainda sabem soletrar Rui Barbosa, Afonso Arinos e Mário Covas.

Pense bem, senador. Porque o próximo cartão vermelho pode vir do povo. Um cartão vermelho universal.

Para todos os senadores da República.

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