Do CADERNO DE CAMPO
http://cadernodecampo.com/2009/08/26/cambista-oficial-na-copa-do-mundo-da-alemanha/
Quantos brasileiros conseguirão comprar ingressos para a Copa de 2014 de maneira limpa e sem ágio?
Em 2006 na Alemanha, Brasil e Gana faziam em Dortmund o primeiro jogo da segunda fase. A equipe de Ronaldo venceria por 3 a 0 e iria enfrentar a França de Zidane e Henry…
Neste mesmo dia, gravei um vídeo que somente agora consegui editar e que revela a existência de um esquema para a venda de ingressos da Copa do Mundo.
Perdoem-me, mas a edição não é das melhores. Nem a gravação…
Notem o cidadão de razoável barriga, óculos e de camisa amarela sem escudo da seleção. Vou chamá-lo a partir de agora de ‘cambista-oficial’.
Numa BMW X5 preta, acompanhado por uma mulher que nunca deixava o carro, ele surgia nos arredores dos estádios onde o Brasil faria seus jogos e organizava a venda de ingressos oficiais da FIFA, conforme poderão conferir no vídeo.
As vendas eram diretas ou intermediadas por alguns “laranjas” (senhor de agasalho azul-marinho no vídeo), e que eram cooptados pelo próprio ‘cambista-oficial’ na porta dos estádios.
Foram gravados vários atos de venda, e o mais nítido está identificado a partir do trecho 01′ 20″ do vídeo, onde se vê claramente a troca de ingressos por dinheiro.
Consegui gravar alguns dos ingressos vendidos pelo cambista-oficial’ e registrar a quem supostamente deveriam estar endereçados.
Abaixo, segue a relação de nomes que aparecem nestes ingressos:
Rony Anderson Rezende, Flávio Talarico, Osmarina Theis, Elton Tedesco, Lincoln Berretta, Sueli Raymundo, José Lima e Eduardo Barella.
E TODOS eles pertenceriam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ou pelo menos é o que está gravado em cada ingresso.
Caso sejam nomes reais, poderiam ajudar a esclarecer o porquê de seus ingressos estarem sendo comercializados por um ‘cambista-oficial’ na Copa do Mundo.
Naquele mesmo dia, a partir do depoimento de um dos laranjas, soubemos que o esquema de distribuição dos ingressos para os “cambistas-oficiais” era realizado num hotel de luxo em Frankfurt, com direito a um andar privativo, diga-se de passagem. Em média, cada ‘cambista-oficial’ recebia de 300 a 500 ingressos por jogo. Aliás, este mesmo laranja já estava ‘escalado’ para ‘trabalhar’ no jogo entre Brasil e França.
Ou seja, um sistema semi-profissional de comercialização de ingressos. Vendido por brasileiros e comprado por brasileiros.
Pergunta: quantos de nós irão conseguir comprar ingressos para a Copa de 2014 de maneira limpa e sem “ágio” ?
