Por NITYA RIOS
http://criandoacasos.wordpress.com/
Dizem que, em certa época, era possível ir a estádios de futebol e assistir pacificamente a uma partida.
Quase não me lembro dessa fase.
Habituados a violência e ao eminente medo, famílias e jovens tornaram-se inimigos.
Torcidas organizadas reinam nas arquibancadas.
Isso se repete dentro e fora do estádio.
Nesta quarta-feira (3), torcedores se dirigiam ao estádio Pacaembu, São Paulo, para assistir a semifinal da Copa do Brasil – Vasco x Corinthians.
Na região da Ponte das Bandeiras o trânsito fora interditado para passagem de um comboio de vascaínos, totalizando 15 ônibus.
A confusão começou ao encontrar no caminho um ônibus com a torcida adversária da noite: corintianos.
Briga, briga e mais briga.
Com vários golpes na cabeça, uma vítima fatal.
Outras sete pessoas ficaram feridas.
Rivalidade e estupidez definem-se assim atos como este.
A polícia militar – que deveria “manter a ordem” – não resolve problema algum em brigas nos estádios e arredores.
Por vezes, piora a situação.
Como no caso do são-paulino Nilton de Jesus, baleado na cabeça em confronto com os policiais, no jogo Goiás x São Paulo, em dezembro de 2008.
Nada contra torcidas organizadas, admiro a exatidão e fidelidade para com seus times.
Destaco ainda a importância dos torcedores para uma partida completa, calorosa.
Mas, de que serve a violência?
Essa rivalidade pessoal?
Essa estupidez?
É burrice achar que o time adversário é seu Inimigo.
Ele nada mais é que um possibilitador.
Sem ele, não haveria jogo.
Não haveria torcida.
Nem vitória, nem derrota.
Vivo na esperança de uma tranqüilidade maior, de inibir o medo e fazer-me mais presente nos estádios, torcendo veemente para uma partida limpa e despreocupada.