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Feras Feridas

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Por JUCA KFOURI

(trecho de sua coluna na FOLHA)

O olho bom da direção do São Paulo parece estar em férias.

E o que não vê anda prevalecendo. Razão pela qual se o reinado em terra de cego não chega a estar ameaçado, passa, ao menos, por uma fase turbulenta, na qual a infelicidade de Rogério Ceni, maior ídolo tricolor, não é mera coincidência, ao contrário.

Sim, porque os buracos do gramado onde se deu a lesão do goleiro são um absurdo impensável, por exemplo, nos tempos de Telê Santana, o jardineiro fiel.

Para piorar, eis que a diretoria que dizia não dar bola ao Paulistinha resolveu eleger o Corinthians como rival a ser batido, mesmo que à custa de derrota na Libertadores que o alijou da luta pelo valioso primeiro lugar na fase de grupos.

Não fica bem, no mínimo, que quem se orgulha de ser organizado e planejador se deixe levar pelas provocações dos adversários, sejam eles quem forem.

E o tosco presidente do Corinthians, aparentemente, conseguiu abalar a superioridade tricolor.

Superioridade que se confunde com arrogância, único motivo que justifica outro problema grave enfrentado pelos cardeais do Morumbi nestes últimos dias, a derrota, já em segunda instância na Justiça de São Paulo, que deixou sub judice a direção do clube que mudou seu estatuto em desacordo com o que determina o Código Civil.

Sabe aquela teoria furada dos que se consideram homens bons, acima da lei, que podem fazer o que bem entenderem porque são melhores que os comuns?

Pois é. O grupo dirigente do São Paulo entrou nessa e se deu mal porque a Justiça entendeu que eles não só não são tão bons como, na verdade, são até ruinzinhos.

A ponto, aliás, de não se justificar que reclamem desta FPF de hoje, comandada por um aliado tricolor, o interino que substitui o presidente suspenso, o roto seis que está no lugar do rasgado meia dúzia.

É diante de tal quadro miserável que o São Paulo entra em seu gramado neste domingo com o objetivo de ganhar do Corinthians para chegar à final do Paulistinha.

Que pode pode, é óbvio, e dá para imaginar o discurso que exigirá de seus jogadores feridos, sangue, suor e lágrimas, em nome da honra, do pai, da mãe e do diabo a quatro.

Do outro lado, um Corinthians inteiro, em busca da mesma vaga e da Taça dos Invictos, só por um empate, coisa que conhece como ninguém neste Paulista, nove em 20 jogos. Por que não dez em 21?

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