Por ROQUE CITADINI
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O tsunami financeiro, que vem abatendo empresas, bancos, investidores, famílias, e tudo mais, nos últimos meses, como era previsto, já atinge também o futebol. Fiquemos aqui com os nossos problemas, já que os clubes europeus vivem uma crise maior.
Agora mesmo, na renovação dos contratos de publicidade dos clubes, estes problemas aparecem de forma intensa. O São Paulo foi o primeiro a sentir o drama, pois recebeu a proposta de renovação com a LG com valores “próximos”, ou até piores do que os do contrato que estava vencendo. Ficou indignado, anunciou que não aceitaria, mas, após 24 horas, esqueceu-se das bravatas e resolveu renovar rapidinho com os coreanos. O Palmeiras vinha de uma negociação antiga, tratando logo de fechar seu contrato, e divulgando que ele era extraordinário, embora fosse modesto.
O Corinthians neste caso é um pouco mais complicado. Primeiro porque a empresa que estava fazendo publicidade decidiu abandonar o Clube. Segundo, porque o setor de marketing alvinegro passou a acreditar que faria qualquer milagre e conseguiria um grande contrato, mesmo com a situação adversa do mercado financeiro.
O que temos visto, em realidade, nos últimos dois meses é uma sequência interminável de citação de empresas, como que “na iminência de assinar com o Clube”. É até desgastante para todos citar os quase 20 nomes que foram vazados pelo marketing como estando “99% confirmados”, “em 24 horas vão assinar”, “está tudo certo”. O pior é que o mesmo marketing que vaza tais notícias para a imprensa, passa a acreditar em sua veracidade. Embora tudo isso tenha gerado uma desconfortável situação, aliás poucas vezes vista, de assessores de empresas divulgando notas desmentindo negociações com o Corinthians. E neste mundo quase virtual de negócios, chegamos a ter espaventosa nota em que o Clube diz que estava “99% acertado” com um Banco, até que a instituição financeira descobriu que pelo seu estatuto não poderia anunciar em clubes.
Mas ainda que o nosso marketing fosse discreto, eficientíssimo, dedicado, nada disso elimina o fato de que teríamos grandes dificuldades para encontrar empresas dispostas a fazer grandes investimentos publicitários no futebol, nas circunstâncias atuais.
Não é, e nem será desabonador para o Corinthians que faça um contrato próximo das condições do anterior. Até diria que não chega a surpreender que o Clube tenha que aceitar contrato por valor menor. Esta é a realidade atual da economia e do mercado. Melhor um contrato que respeite as condições do mercado do que ficarmos alimentando notícias de contratos virtuais, que não se materializarão.
A crise e os mitos
O brutal tsunami financeiro, que vem atingindo o mundo todo, vem destruindo empresas, fortunas, bancos etc, mas, principalmente vem demolindo mitos.
Soa quase como uma piada a mais importante frase gerada por economistas americanos de que “no capitalismo não há almoço grátis”. Estamos vendo, agora, os Governos em situação de desespero, liberando bilhões para Bancos, seguradoras e montadoras de veículos. O que é pior é que o socorro não é local, mas mundial, não se limitando a uma só área, mas abrangendo quase todas. Outros mitos construídos pelos EUA vêm-se destruindo, como os mitos da eficiência do mercado, da seriedade dos negócios, de que, com o Estado longe, o mercado trabalha melhor, e, principalmente, o mito de que a liberdade individual, que gera a ganância pelo progresso, é que move o desenvolvimento da humanidade.
Não sei quantos autores devem estar pensando em recolher seus livros sobre teses econômicas, mas creio que especialmente os economistas deveriam ser mais ponderados em suas afirmações bombásticas. Lembremos, por último, um mito, sempre vendido no Brasil, e no mundo, de que o governo não deve imprimir dinheiro sem riqueza que o garanta.
Neste momento em toda a humanidade, em todo o planeta, as máquinas das Casas da Moeda estão imprimindo dinheiro sem qualquer lastro para suprir a bolsa dos ricos.