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Palavra do Magrão

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O brilho de Marta

Por SÓCRATES

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Nosso País é realmente privilegiado em matéria de futebol. Historicamente, sempre tivemos os melhores jogadores do mundo e até hoje eles estão por aí, espalhados por todo o planeta. O que nunca imaginei é um dia aparecer uma jogadora do porte da Marta, meia-esquerda da seleção feminina nacional.

É uma atleta excepcional. Tem todas as qualidades dos gênios desse esporte: excelente visão de jogo, habilidade, talento, dribla muito bem e chuta como poucas. Quem acompanha o futebol feminino pode até apontar a norte-americana Mia, por muitos anos na seleção nacional de seu país e por duas vezes ganhadora do troféu de melhor do mundo, como a maior de todos os tempos. Ou a alemãzinha que abocanhou o prêmio por três vezes, antes que Marta o tomasse nos braços. Eu não penso assim.

Por tudo que Marta pôde nos oferecer nos últimos anos em seu clube e na seleção brasileira, avalio que ela sempre foi a melhor. E isso se torna ainda mais claro quando entendemos que durante muito tempo a nossa equipe possuía um nível inferior ao das principais adversárias, e mesmo assim ela se destacava absurdamente.

Quando chegamos ao mesmo patamar das rivais, tudo ficou claro e a nossa Pelé não deu chance a mais ninguém. Em três vezes consecutivas, foi escolhida como a melhor jogadora do mundo, o que não é para muitos. Ou melhor, é só para ela, incluindo os marmanjos. Pelo menos por enquanto. E é mais que merecido: Marta é uma daquelas jogadoras que nos levam a deixar tudo o que estamos fazendo para acompanhá-la. É um brilho para os olhos e para a sensibilidade dos amantes do futebol.

Torço para que Marta possa se manter durante muitos anos nos campos da vida, para que os garotos de hoje, em vez de idolatrar os pernas-de-pau que inundam os nossos gramados, tenham a possibilidade de se empanturrar do verdadeiro futebol.

Temos de acreditar!

A expressão no rosto dos vencedores da São Silvestre, nos últimos quilômetros da corrida, deu-nos uma perfeita ideia do esforço despendido para obter a vitória. Naqueles momentos, muito mais que capacidade física, descobrimos o efeito da vontade de vencer em nossos desempenhos.

É o grande diferencial em relação aos adversários. Mesmo que, eventualmente, algum deles pudesse ter mais potencial físico, não poderia enfrentar tamanha determinação – palavra muito em voga no vocabulário dos jogadores de futebol, ainda que poucos levem em conta o que ela representa. Se soubessem que sem ela nunca nos é permitido alcançar objetivos às vezes distantes, não a desprezariam tanto.

Há, sem dúvida, muito trabalho nas costas de quem chega ao pico, mas é inegável que as condições emocionais e psicológicas potencializam nossas capacidades. São elas que nos permitem ultrapassar os nossos próprios limites. E isto vale para qualquer atividade.

Quando queremos, quando buscamos, quando lutamos, temos muito mais chance de sucesso. Que estes exemplos possam nos iluminar neste ano que nasce tão cheio de esperança. Fora o comodismo! Viva a determinação por melhores resultados. Eles com certeza virão. É só acreditar.

Planejamento de carreira

Após a definição do caso Bosman pela Corte da Comunidade Européia e a queda do “passe” aqui no Brasil, tornou-se delicada, algo merecedor do cuidado de todos os atletas, a definição do tempo de contrato e eventuais transferências. A estratégia e o planejamento da carreira do atleta passaram a ser de grande valia para todos.

Tomaremos como exemplo a decisão que há alguns anos tomou Roberto Carlos, antigo lateral do Real Madrid e da seleção brasileira, de declinar do convite do Chelsea, da Inglaterra, para defender as suas cores. Isso não deve ter envolvido apenas questões econômicas, mas principalmente a perspectiva daquilo que poderia acontecer nos anos posteriores. Um fato que gera muita insegurança para quem joga na Europa é não possuir passaporte comunitário, estando aí sujeito à legislação de cada país aceitar um determinado número de não-comunitários.

Roberto era um desses. Tentando isolar as outras variáveis, acredito que um atleta como ele possuía, à época, uma chance única de jogar na Inglaterra: caso participasse de mais de 75% dos jogos da seleção do seu país em um único ano. Assim, ele teria a possibilidade de ser contratado por um clube inglês. Como foi o caso de Gilberto Silva e de Kléberson, logo após a Copa da Ásia. Hoje, com a crise econômica instalada nos grandes times do planeta, dificilmente um convite como aquele voltaria a acontecer. E, muito mais dificilmente, seria rejeitado.

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