Por Flávio Ricco
colaborou José Carlos Nery
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Ninguém estranhamente repercutiu o que foi dito pelo presidente Lula, sexta-feira passada. Ele disse textualmente o seguinte: “Qual é o processo de educação que nós aprendemos quando ligamos uma televisão no Brasil? Nenhum. O que nós assistimos, em muitos casos, é um processo de degradação da estrutura da família brasileira”.
Mas quem dá as concessões?
Quem renova essas concessões?
Quais as exigências ou obrigações impostas a esses veículos?
Não se trata de uma caça às bruxas. O presidente é que tocou no assunto. Como o governo é o responsável pelas concessões, entende-se que ele também tem a sua responsabilidade.
O que dizer de tantas rádios, AMs e FMs, hoje exploradas pelas igrejas?
Ou das televisões que também vendem todos os seus horários para as igrejas?
Se é chegada a hora de cobrar melhor comportamento das emissoras, vamos começar investigando a origem do dinheiro que paga essas sublocações. Todo mundo sabe que existe um “mercado negro” e mal cheiroso por trás disso.
É curiosa a ordem das coisas: alguém, para se habilitar a uma licitação de rádio ou TV no Brasil, tem que apresentar todos os documentos possíveis. Ficha limpa, criminal e cível. No entanto, depois que ganha, esses canais podem passar ou ser explorados livremente por terceiros, sem problema algum.
Nem a exigência de dar o nome e prefixo dessas rádios ou tevês é atendida nos dias de hoje. Bom saber que o presidente Lula está preocupado, mas será que o governo, como um todo, também está? Não pode ficar na superficialidade. Este – rádio e televisão – é um assunto que deve ser discutido com profundidade, enfiando a mão na ferida política e nos votos que sempre orbitam em torno dele.