From: Tadeo Sanchez Oller
Sent: Friday, October 24, 2008 10:38 AM
Subject: Esclarecimento
Boa noite Paulinho, nos últimos dias tenho sido involuntário protagonista de noticias em seu blog, por favor se possível gostaria que seu blog possa inserir minha opinião anexa sobre o tema.
Abraços e obrigado
Tadeo Sánchez Oller
Esclarecimento sobre minha participação no Corinthians
Em relação a minha participação na direção das escolas Chute Inicial do Corinthians, quero manifestar o seguinte esclarecimento:
Considero normal e legítimo que em qualquer confrontação que possa vir a ter incidência eleitoral ou faça parte da dinâmica de governo de uma entidade coletiva, os contendentes ressaltem seus prováveis méritos e destaquem os supostos desméritos do adversário. No meu entender, isso explica o desproporcional destaque que gera minha breve passagem pelo Corinthians, a qual pode-se pretender classificar como caso de nepotismo, interpretação, ao meu ver, improcedente, já que não houve nenhum tipo de interesse econômico ou protecionismo profissional, ambos, fatores necessárias para caracterizar o nepotismo. Em todo caso, reconheço que pequei pelo excesso de voluntariado e ingenuidade, em termos esportivos, digamos que fui amador.
Quatro fatos motivaram minha colaboração, o primeiro e principal, por ser corinthiano e desejar que o time superasse a fase difícil em que se encontrava; depois, por ser primo-irmão e amigo de Andrés Sanchez e desejar que este faça uma boa gestão; o terceiro, por minha experiência referente a área de Responsabilidade Social e, em quarto lugar, uma motivação aparentemente quase saudosista: a primeira vez que exerci meu direito a voto e vi a real força desse direito foi nas eleições para Presidente do Corinthians, nos anos 70. Como jovem sócio, fui eleitor do opositor Miguel Martinez que derrotou Wadih Helu e também por essa razão me identifiquei com o compromisso de que, caso eleito presidente, Andrés se comprometeria a recuperar como direito dos sócios tão valioso instrumento democrático. Por certo, esse objetivo já foi conquistado.
Como ativista da Responsabilidade Social, deduzi quão importante seria que o clube mais popular da cidade tivesse entre suas metas de gestão um foco sobre essa temática, cujo efeito, além de popularizar a mesma, fosse exemplo para outros clubes e servisse para transformar a vida das pessoas que resultassem beneficiárias.
Em vista disso, assumi com Andrés o compromisso de elaborar, logo em seus primeiros dias de gestão, uma proposta para seu mandato, uma vez elaborada e aprovada, a mesma seria executada por profissionais do clube. Em momento algum eu poderia ser um deles, nem sequer voluntariamente, por insuficientes conhecimentos técnicos, por morar longe e até por não dispor do tempo de dedicação que exige tão importante matéria.
Redatei o Programa “Ações de Responsabilidade Social para o Corinthians” com o objetivo de tentar uma aproximação do cotidiano do Corinthians com propostas vinculadas ao tema, inclusive o texto foi inserido no site do clube e distribuído amplamente entre a imprensa, motivando uma coletiva com a presença de Andrés, Marlene Matheus (Vice-Presidente Social) e os ex-atletas Basílio e Badeco, representando a COOPERESPORTES (Cooperativa de Ex-Atletas), entidade com a qual, no mesmo dia, o clube assinou um convênio de cooperação que previa a formação dos membros da cooperativa como instrutores das Escolas Chute Inicial, além de outras iniciativas.
Entre as diversas ações previstas, duas exigiam atenção imediata, por tal motivo participei na primeira delas, com a COOPERESPORTES, na realização de feijoadas solidárias, exitosamente organizadas pela equipe da Vice-Presidente Social, cuja renda foi integralmente revertida à Cooperativa.
A outra ação urgente foi considerar as Escolas Chute Inicial como parte do Programa de Responsabilidade Social, motivando uma reunião com todas as franqueadas, expondo a filosofia social do projeto. Também foi decidido que a Escola localizada no Parque São Jorge deixava de ser franquia e passava a ser propriedade do clube, o que justificou uma reunião com os pais de todos os alunos comunicando a nova situação. Os profissionais da Escola, dada a reconhecida qualidade dos mesmos, foram mantidos em seus postos de trabalho e integrados como funcionários do clube. Com esse mesmo critério de ampliar a vertente social da Escola situada no PSJ, acompanhei Andrés a uma reunião com as entidades sociais da Zona Leste vizinhas ao Corinthians e que trabalham com crianças e adolescentes, expondo às mesmas as possibilidade de futura parceria social. Visitei também as instalações da Chute Inicial, em Heliópolis, para tentar agilizar o projeto social pensado para aquela área.
Também houve reuniões com prestigiadas entidades no âmbito da Responsabilidade Social para conhecer suas atividades e avaliar algum tipo de atuação do Corinthians, como Akatu, Fundação Abrinq, Justiça e Paz, Sesi e Transparência Brasil, em algumas participei e em outras estive ausente.
Esclareço que nas poucas reuniões que participei sempre fui acompanhando representantes do clube e, na impossibilidade de minha participação, a reunião se realizou normalmente. Com isso, fica evidente meu papel de assessor temporário e não de suposto dirigente ou executivo de gestão. Também, é importante destacar que jamais visitei alguma das Escolas Chute Inicial franqueadas pelo Corinthians e nunca me reuni com nenhum de seus proprietários, o que deixa em evidência que realmente a minha atuação era meramente de assessor temporário e não de interlocutor executivo.
Uma vez colocado em andamento esse conjunto de ações e também pelas limitações de tempo e distância, dei por concluído meu compromisso de assessoria inicial com Andrés e desde o mês de abril/2008 não tenho nenhum tipo de participação, nem sequer assessorando o desenvolvimento das ações que tenham a ver com a área de Responsabilidade Social.
Atualmente, minha contribuição se limita, além de torcedor, à minha condição de sócio, embora neste caso vale ressaltar que pouco depois das eleições do Corinthians nos anos 70 fui residir no exterior e passei meu título a um familiar (procedimento possível naquela época). Quando Andrés assumiu a diretoria do time, me inscrevi novamente como sócio, pagando a respectiva anuidade.
Ressalto ainda que, em nenhum momento, obtive qualquer tipo de remuneração por minha modesta contribuição, nem sequer as viagens realizadas desde Salvador/Ba, onde resido, ocasionaram a mínima compensação financeira por parte do Corinthians, até por que minha plena identificação com a temática de Responsabilidade Social não permitiria tal suposto, pois, em caso de remuneração, com certeza poderiam ser contratados excelentes profissionais da área. O fato de ter a sorte e o privilégio de dispor de suficientes meios econômicos me permitiram participar de tão importante tema unicamente na condição de ativista devido a minha identificação pessoal. Sei também de muitos outros corinthianos que fazem esse tipo de colaboração militante e anônima, com entusiasmo em outras áreas de atuação.
Também quero deixar constante que durante esta breve passagem de quase sete meses devo ter ido ao clube, no máximo, cerca de 10 vezes, ou seja muito pouco para supostamente participar como executivo de entidade de reconhecida intensa vida interna, durante essa breve presença jamais testemunhei qualquer caso passível de denúncia, muito pelo contrário, conheci pessoas sérias e altamente comprometidas profissionalmente com o clube, tanto os que lá continuam como aqueles que deixaram o clube neste período.
Em relação a Andrés, certamente, igual a qualquer um de nós, cometerá erros e acertos em suas funções, mas tenho a convicção que do primeiro ao último dia do mandato manterá inalteradas, também como dirigente, as razões que o levaram a candidatar-se a presidência: sua paixão e honesta determinação em fazer o melhor Corinthians possível.
Finalmente, declaro que torço para que tanto Andrés, caso opte por candidatar-se, como os futuros restantes candidatos a presidente, incluam em sua plataforma de governo compromissos relativos à Responsabilidade Social, permitindo que também o Corinthians, como coletividade, aporte seu grão de areia em prol da justiça social.
Abraços e obrigado
Tadeo Sánchez Oller
