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Memória da CPI: V(W)anderlei(y) Luxemburgo e Arthur Eugênio Mathias

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Encontrei essa reportagem da Folha de São Paulo do ano de 2000.

Ela fala da CPI do Futebol, aquela que V(W)anderlei(y) Luxemburgo diz ter saído “ileso”.

Notem que não é verdade.

Leiam com atenção e descubram que Arthur Eugênio Mathias, dono do site Futebol Interior, foi seu advogado.

Faz sentido.

 

São Paulo, sexta-feira, 01 de dezembro de 2000

FUTEBOL

Empresa em paraíso fiscal e conta em Miami indicam irregularidades

Técnico enviou dinheiro ao exterior, suspeita comissão

DO ENVIADO A BRASÍLIA

Logo após o depoimento do ex-treinador da seleção brasileira Wanderley Luxemburgo, a opinião dos senadores era unânime: o próximo passo da CPI do Futebol é investigar remessas de dinheiro para o exterior que possam ter ligação com o técnico.

Assim que a sessão terminou, Álvaro Dias (PSDB- PR), presidente da CPI, e Geraldo Althoff (PFL-SC), o relator, diziam que há fortes indícios não só de sonegação fiscal, mas também de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo Luxemburgo.

“”Ficou claro que ele omitiu informações. Agora vai ter que responder na Justiça”, disse Althoff. “”Demos as chances para ele se explicar, mas, se não aproveitou, temos de continuar investigando. Suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas não faltam”, declarou Dias.

Na mira dos senadores estão uma empresa em paraíso fiscal -a Balridge, nas Bahamas- e uma suposta conta de Josefa Luxemburgo, a mulher do treinador, nos Estados Unidos.

A empresa com sede em Nassau, a Balridge Properties Limited, fez a intermediação da venda de um apartamento do técnico no bairro de São Conrado, no Rio.

Indagado pelo senador Althoff, Luxemburgo não soube precisar como chegou a ela.

“”Não há qualquer transação da Balridge com qualquer cidadão ou empresa brasileira, só com o senhor Wanderley Luxemburgo. Isso foi checado com o Banco Central”, comentou Althoff, intrigado com o caso.

A suspeita é que a empresa faria a lavagem do dinheiro, atuando como se estivesse vendendo o apartamento para mandar recursos do técnico para o exterior. Nesse caso, o imóvel de São Conrado continuaria com Luxemburgo ou com alguém ligado a ele.

“”O que sei é que o pagamento foi feito em dinheiro”, disse ele. “”No Brasil, porque eu não tenho conta no exterior.”

Logo depois, no entanto, o técnico se complicou. Ao ser informado de que o Senado está averiguando a existência de uma conta em Miami, na Flórida, em nome de Josefa Costa Santos Luxemburgo, sua mulher, ele se atrapalhou. “”Não me lembro que ela tenha”, respondeu. “”Se ela fez alguma coisa, não sei, eu não vi.”

Mais tarde, quando a CPI voltou ao assunto, Luxemburgo disse que tentara falar com sua mulher pelo celular, mas que até aquele momento não tivera sucesso.

Se ficar comprovado a existência da conta em nome de Josefa, o técnico afirmou que seria “”desagradável”, algo que poderia até abalar seu casamento.

Os senadores também tentaram saber se o técnico poderia ter ligação com o tráfico de drogas, como acusou Renata Alves.

Indagado pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP) sobre o caso da manicure, em Campinas, quando Luxemburgo foi acusado de assédio sexual, o treinador disse ter sido defendido pelo advogado Márcio Thomaz Bastos. Pelo menos no início do processo, no entanto, quem o defendeu foi Arthur Eugênio Mathias, mais tarde acusado de envolvimento com o narcotráfico e roubo de cargas.

“”Peço desculpas, eu tinha me esquecido disso. Quem comandou o processo foi o professor Márcio Thomaz Bastos”, justificou Luxemburgo.

Sobre seu relacionamento com Arthur Eugênio, limitou-se a dizer que quem os apresentou foi Nenê Zini, filho de Beto Zini, ex-presidente do Guarani.

Tendo treinado a seleção brasileira por dois anos, em poucos momentos Luxemburgo pôde falar de futebol propriamente dito.

Chegou a ser questionado sobre o fato de não ter convocado Romário para as eliminatórias, explicando que foi uma decisão de consenso com a direção da CBF.

Apesar do fracasso na Austrália, avaliou seu trabalho como positivo. “”A geração da Copa de 98 acabou, e estávamos começando a formar uma outra”, comentou o treinador, substituído por Leão.

Ele defendeu o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que teria lhe dado autonomia para trabalhar. Mas teve dificuldades para explicar um depósito de R$ 600 mil feito por ele, Luxemburgo, na conta da entidade.

“”A CBF me adiantou R$ 600 mil das luvas, de R$ 1,5 milhão, e depois eu devolvi”, disse ele. Embora o mais lógico para pagar menos CPMF fosse a CBF ter depositado a diferença (R$ 900 mil), a entidade pagou o total das luvas, e o técnico devolveu o adiantamento.

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