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Entre o discurso e a verdade

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Chega a ser interessante como alguns discursos contrariam os atos praticados.

É grande a diferença entre aprovar um novo estatuto e cumprí-lo efetivamente.

Gente que lutou para que o documento fosse registrado, a fórceps, com irregularidades gritantes, que feriam o Código Civil, defendem hoje algo pelo qual nitidamente trabalharam contra.

É de fazer corar a declaração do vice-presidente jurídico do Corinthians, Sérgio Alvarenga, idolatrando o fato do texto ter sido aprovado por Assembléia Geral.

Principalmente após ele mesmo ter dito que não havia a menor necessidade de que isso acontecesse.

Falou ainda que o cartório não teria motivos para recusar o registro porque, em sua opinião, tudo estaria dentro da legalidade.

O tempo tratou de provar que não estava.

A diretoria corinthiana passou pelo vexame de ter o documento devolvido.

Vale lembrar que o estatuto foi redigido por desembargadores e juristas renomados, entre eles o Dr. Sérgio Alvarenga, o que torna difícil acreditar que cometeriam tamanhos erros sem que tivessem ciência do que era feito.

O texto precisou ser alterado.

E a Assembléia Geral, tão combatida e evitada, enfim, aconteceu.

Enquanto isso, a diretoria, representada por Alvarenga, continua sendo recordista em não cumprir a carta que rege a vida corinthiana.

Este sim, um fator importante a ser destacado.

No próprio dia da votação, irregularidades foram cometidas nos locais do pleito.

A infeliz idéia de colocar figuras ilustres como Waldir “não trabalho, mas recebo por notas fiscais” Coxinha e o porta voz “extra-oficial” da diretoria, como fiscais de algumas urnas, não pegou muito bem.

Além disso, as portas do clube foram abertas para a presença sempre desagradável de membros “não sócios” dos Gaviões da Fiel.

Que barbarizaram e tentaram coagir os associados, verdadeiros contribuintes do clube, por meio de insultos e ameaças físicas, acompanhados de perto por passivos dirigentes alvinegros, que nada fizeram para evitar o ocorrido.

O que dá uma amostra bem clara do que deve acontecer no dia das eleições presidenciais.

Fácil também jogar palavras bonitas ao vento, carregadas de meias verdades, esquecendo-se de citar fatores que influenciam diretamente na gestão do presidente que tem medo.

Discursar e não citar a participação de contraventores e gente com extensa passagem policial no comando do poder paralelo do clube é cometer um ato de omissão que beira a irresponsabilidade.

Não falar sobre a luta dos membros da atual diretoria em manter a parceria com a MSI ativa foi também muito conveniente.

Fato que chega a ser quase tão grave quanto a prevaricação exercida por delegados e desembargadores que convivem e sabem de tudo que se passa dentro dos muros do Parque São Jorge e nada fazem.

A vida administrativa do clube está longe de ser o “País das Maravilhas” descrito por Sergio Alvarenga.

E ele sabe bem disso.

Mas preferiu não citar, em sua quase crônica, o mar de lama ocasionado e alimentado por alianças políticas que deixariam Don Corleone impressionado.

A diretoria, comandada por um presidente que, no passado, foi dispensado do clube por desviar jogadores e manteve (?) estreita relação com mafiosos russos não pode servir de modelo para um texto tão bem escrito.

Que utiliza como alicerces figuras que, por anos corromperam e se locupletaram do suor de um clube já combalido.

O Corinthians necessita de intensa fiscalização e faxina, não de exaltação e bravatas.

Alvarenga proferiu palavras doces e muito bem escritas.

Pena que não sustentadas pela verdade.

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