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João Paulo de Jesus Lopes e o CONSEG falam sobre o impasse entre São Paulo F.C. e Morumbi Cidadania.

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Do Morumbi Cidadania

Ola Paulinho

Estou encaminhando a entrevista entre João Paulo de Jesus Lopes, do SPFC e a Dna. Julia Titz Rezende, presidente do CONSEG MORUMBI:

O Morumbi Cidadania discorda da posição dos entrevistados a respeito do projeto que ocorrerá no estádio Cícero Pompeu de Toledo nas áreas internas e externas de suas dependências, como também na Pça. Roberto Gomes Pedrosa e adjacências.

A opinião da presidente do CONSEG restringe-se em afirmar que a praça é do povo, uma justificativa que serviria para qualquer praça em qualquer cidade, ou seja é insuficiente para fundamentar uma posição que abranja a complexidade dessa intervenção urbana que vai remodelar a região. As comparações pejorativas do que acontecerá após a implantação do projeto, estabelecem cenários negativos no uso e funcionamento da nova praça e do estádio, sempre colocando indevidamente a Pça. Roosevelt e o minhocão como referência.  Na realidade a Pça. Roberto Gomes Pedrosa não é do povo desde o início do estádio, o espaço da praça é uma extensão das atividades que ocorrem nos eventos, portanto a função da “praça do povo” é servir de estacionamento, local para que torcidas organizadas se confrontem, marreteiros, cambistas, e todas as ocorrências negativas dos eventos onde desorganização e tumulto acontecem na contramão da cidadania e civilidade. É preciso considerar que a atual situação desse local está prejudicada há quase 40 anos, impactando de forma nociva a qualidade de vida no bairro, somando-se problemas ambientais e a conivência que os órgãos públicos e o descaso que SPFC tem para com a comunidade.

Portanto rejeitar, negar aprioristicamente ou ser do contra com argumentos fundamentalistas sem conteúdo, não parece ser a posição correta para uma situação complexa do ponto de vista urbanístico e que vai modificar o desenho urbano da região e da cidade, considerando a superposição dos projetos urbanísticos em fase de implantação e a chegada do Metro.

O CONSEG, tem a função de servir de ponte entre a comunidade e a PM, Polícia

Civil, CET, Prefeitura e demais órgãos, agilizando o encaminhamento dos problemas da região para que sejam tomadas as medidas pertinentes, principalmente na questão da segurança, é importante propiciar e promover uma discussão do projeto do SPFC,caso seja selecionado para o evento da Copa 2014, junto aos moradores e associações do bairro, apoiando posteriormente a conclusão que surgiria a partir do movimento da comunidade.

É inadequado que entidades do governo opinem, a favor ou contra, sobre questões onde nitidamente exorbitem sua competência, devem sim apoiar as iniciativas e manifestações de comunidade.

Para se adequar aos encargos exigidos pela FIFA, o SPFC desenvolveu um projeto arquitetônico, seu autor é o Arq. Ruy Ohtake, que prioriza as condições para ser selecionado para o evento da Copa de 2014. Para a devida implantação desse projeto, é necessário estabelecer alguns pontos preliminares que incluam características difusas e comunitárias que abranjam equipamentos urbanos carentes no local. Portanto é inadequado considerar apenas os aspectos e interesses pontuais de entidades particulares e empresas e a conseqüência vantagem empresarial e patrimonial obtida com recursos públicos e sem a devida compensação para com a comunidade.

O foco relevante, por enquanto do ponto de vista da cidadania e da legalidade, é estabelecer os mecanismos legais, com transparência, para a devida aprovação pelos órgãos públicos, passando por relatórios de impacto e audiências públicas onde a opinião da comunidade pode ser manifestada.

O Morumbi Cidadania acionou o Ministério Público da Habitação e diante dos fatos apresentados, foi instaurado inquérito civil para garantir esse processo, mas é lamentável o fato dos dirigentes do referido clube, acreditarem que desde a inauguração do estádio e suas dependências sociais, tenham atraído moradores interessados em ter o clube como vizinho, omitem que chegaram anos depois do loteamento existir, e aqueles no entorno próximo, adquiriram suas propriedades confiando que morariam junto a uma enorme praça, local onde o clube foi agraciado inexplicavelmente.

Apesar dos dirigentes do clube acreditarem que suas instalações trouxeram “progresso” para o bairro e assim justificarem suas atividades, acompanhadas com transgressões contra a cidadania e crimes ambientais, agora desejam a aprovação integral do projeto arquitetônico proposto, portanto é necessário constar a reformulação e normatização das atividades presentes e futuras do clube, nas áreas sócio-desportivas e nos diferentes eventos no estádio.

A comunidade da região deve ter seus direitos de cidadania respeitados e preservados na qualidade de vida da região, afinal não é a comunidade que deve se ajustar ao SPFC, é o SPFC que deve se ajustar à comunidade e cumprir as leis vigentes que normatizam seu funcionamento, foi o que determinou o Termo de Ajuste de Conduta proposto pelo Ministério Público do Meio Ambiente.

A conclusão preliminar de todo esse processo, evitando as radicalidades inconseqüentes e demagogas, é que a região precisa e é merecedora dos investimentos e projetos propostos, com modernidade e conceitos urbanísticos compatíveis que proporcionem e garantam com transparência a qualidade de vida na cidade de São Paulo.

 

 

Ouça as entrevistas abaixo.

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