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Entrevista com Richarlyson: “Falem de mim!”

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Da Revista Placar

Por ROGÉRIO JOVANELI

 

Afinal, em que posição você prefere jogar?

No meio-campo. Nem de volante eu gosto. Sempre fui enfático em dizer que me sinto bem é como terceiro ou quarto homem no meio. Foi como o São Paulo me contratou, mas não posso reclamar porque, como volante, ganhei prêmios individuais e, como lateral, cheguei á seleção.

E em que posição você quer voltar à seleção?

Isso eu deixo a mercê do treinador. Claro, se for no meio-campo, melhor. Mas o Dunga teve a confiança de me colocar na lateral e eu retribuí com boas partidas.

O que mudo no São Paulo do ano passado para o do primeiro semestre deste ano?

O São Paulo não tinha um time com “craques”. E este ano teve o Carlos Alberto, o Adriano, Fábio Santos… A gente jogou em função do Adriano, que ajudou muito o São Paulo, com gols importantes. Mas a adaptação do grupo aos novos jogadores foi difícil. Foi o que atrapalhou.

Como foi a conversa com o Muricy sobre sua queda de produção no time?

O Muricy sempre foi muito transparente. Quando ele diz que quem joga com ele é quem está bem, é verdade. Chegou pra mim e disse: “Vamos dar um tempo para você recuperar a confiança e, no momento em que a readquirir, serei o primeiro a colocá-lo para jogar, porque você é importante”.

E o que faria você deixar o São Paulo?

Tem até bochichos de propostas para o exterior, mas no momento não penso em sair. Falam sobre o fato de estar estudando alemão, só que eu sempre gostei, porque já joguei na Áustria e pude estudar a língua. Também estou estudando inglês, mas não é porque quero ir embora. Só que, se o clube achar que é o momento de sair, vou ver se o negócio é bom para ambas as partes e sair pela porta da frente.

Dizem que você ficou mascarado com a seleção…

Aí já acho muito forte a palavra. Sou uma pessoa de atitude e vou atrás do que eu acho certo. Mascarado é quem quer pisar em alguém. E isso não passa perto do que eu sou.

Após o processo contra o diretor do Palmeiras, sua vida particular ficou em evidência. Você já foi desrespeitado nas ruas?

Nada que me chateasse. Pelo contrário, as pessoas me cumprimentam, pedem autógrafo, elogiam meu trabalho.

As pessoas ainda insistem em questionar sua opção sexual. Isso o incomoda?

Entra por um ouvido e sai pelo outro. Já fui a um programa de TV e, a partir daquele momento, acabou. Bem ou mal, falem de mim. De certa forma, estou sendo lembrado.

Você conversou com o treinador sobre isso?

Não. Em nenhum momento o treinador, o presidente ou meus companheiros tocaram no assunto.

E entre os jogadores? Você tem amigos?

A maioria dos atletas são casados, saem com as esposas. O Aloísio, que não vive com a esposa e os filhos, é com quem tenho mais contato. Ele me chama para ir à casa dele, comer uma picanha e bater uma resenha (bater papo).

A torcida organizada Independente não grita o seu nome. Isso o incomoda?

Não. Se eles não gritam, a maior parte da torcida grita. Lógico, tenho que agradar ao torcedor do São Paulo, mas primeiro tenho que agradar ao presidente do clube, ao treinador e aos meus companheiros.

Você acha que as dificuldades pelas quais você passou o obrigam a correr em dobro?

De maneira nenhuma. Minha obrigação é fazer o que o treinador manda e ajuda os companheiros naquilo que posso. Não tenho obrigação maior que a de ninguém.

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