Por Roberto Vieira
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A visita de Zinedine Zidane ao Brasil nos recorda duas copas. Duas derrotas.
No entanto, ao contrário de Gighhia em 50, a maioria dos brasileiros é fascinada com a técnica de Zinedine Zidane.
Como explicar a aparente contradição?
Talvez tenhamos que buscar ajuda no inconsciente coletivo de Jung.
O futebol brasileiro nos últimos anos produziu jogadores espetaculares.
Ronaldinho Gaúcho enche os olhos com sua habilidade, suas fintas desconcertantes.
Kaká com sua arrancadas fulminantes comandou o Milan na conquista do Mundial Interclubes.
Ronaldo, o Fenômeno, é um exemplo de artilheiro e um exemplo de superação.
Mas o inconsciente coletivo brasileiro namora outras imagens.
Ele procura em campo a sombra de Danilo Alvim desfilando com o Expresso da Vitória.
Outras vezes, busca Fausto dominando o campo de jogo como um semideus.
Onde encontrar um Zizinho que chame a bola de você? Mestre e amante.
Não existem mais Didis em nossas canchas.
Pois a lentidão sagrada de Ademir da Guia foi renascer argelina. Em Marselha.
Ao contrário do nosso antigo carrasco, o uruguaio Gighhia, Zidane tem muito do que já foi característica do melhor futebol brasileiro.
Quando ele estava em campo, prendia e mandava soltar.
Então, sempre que uma parte de nós desejava odia-lo, nossa alma se apaixonava.
Narciso.
Não nos sentimos derrotados.
Descobrimos intuitivamente que nas jogadas de Zidane existia uma partícula de nós mesmos.
No inconsciente coletivo de cada torcedor