
Muito se fala do grupo Renovação e Transparência como o poder absoluto das últimas décadas no Corinthians, dividido, em parte, com conselheiros vitalícios submissos ao dinheiro do capo Paulo Garcia, dono da investigada Kalunga.
Nenhum deles, porém, permaneceu tanto tempo influente quanto o bloco do Centrão.
Nunca ocuparam a presidência, mas sempre estiveram em cargos relevantes e na posse de empregos bem remunerados.
Como parasitas, grudavam no gestor de plantão até que este caísse em desgraça, migrando, imediatamente, para a campanha de quem viria a substituí-lo.
Mesmo quando não obtinham êxito nas eleições, aderiam ao vencedor no minuto seguinte à posse.
Que capital possuíam para que as portas estivessem sempre abertas?
Os membros do Centrão conseguiram, mesmo participando de gestões corruptas, vender-se — não internamente, onde já se sabia quem eram —, mas a torcedores, imprensa e influencers, como bastiões da moralidade.
E enganavam bem.
Diziam-se sempre traídos pelo cartola ladrão.
Agora, a máscara caiu.
Na gestão Stabile, seus passos, antes pouco notados, tornaram-se evidentes como favoráveis à manutenção de um sistema que sempre os beneficiou — contrário, portanto, às necessidades do Corinthians.
Aprovaram contas comprovadamente fraudadas e chegaram a recorrer à Justiça para impedir a abertura democrática que representaria o voto do “Fiel Torcedor”.
Em pouco mais de oito meses, jogaram por terra quase 20 anos de encenação (até então bem executada), enfim criticada pelo público — incluindo a mídia —, que antes os colocava em pedestais imerecidos.
O sapatênis estava — como sempre esteve — tão sujo quanto a cartolagem que ajudaram, por décadas, a manter no poder.