
Há algo de muito estranho na administração do Cruzeiro, conforme demonstra o recente balanço divulgado, referente às contas de 2025.
Não se trata dos números, mas do método.
As receitas cresceram substancialmente, atingindo quase R$ 600 milhões, seguindo a tendência de faturamento que beneficiou as agremiações mais relevantes do país.
A dívida, porém, superou R$ 1,1 bilhão.
São R$ 401 milhões a serem pagos no curto prazo.
Isso causa estranheza porque o dono do Cruzeiro é um empresário multimilionário, proprietário de uma rede de supermercados que, há tempos, dá lucro e segue em expansão.
Eis o ponto.
Não se trata, em tese, de alguém que não saiba administrar.
Provavelmente, trata-se de alguém que não se dispõe a perder dinheiro.
A menos que, em hipótese, o sucesso de um empreendimento seja beneficiado pelo prejuízo de outro — situação abordada, inclusive, na literatura sobre circulação de dinheiro.
O que é certo: o Cruzeiro vem sendo administrado com uma ausência de cuidado que, para dizer o mínimo, remete a práticas típicas de modelos associativos, nos quais os clubes não são tratados com o mesmo rigor de um negócio privado — como, por exemplo, o supermercado que, se quebrar, colocaria em risco o futuro de seu proprietário.
Para pensar.