
Com ajuda da CBF, que reservará quantia relevante de ingressos, 27 torcidas “organizadas” dos principais clubes brasileiros sentarão lado a lado, nos Estados Unidos, para torcer pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Dentre elas: Torcida Independente, Dragões da Real, Gaviões da Fiel, Mancha Alviverde, Torcida Jovem do Santos, Raça Rubro-Negra, Força Jovem do Vasco, Young Flu, Torcida Jovem do Botafogo, Máfia Azul, Galoucura, Geral do Grêmio e Guarda Colorada.
É uma ideia interessante, por óbvio.
Gente que vive se matando no Brasil, em trégua — tomara, sem atacar torcedores de países adversários.
Essa demonstração de que, quando querem, as “organizadas” conseguem agir com civilidade faz refletir que a guerra travada por aqui, na verdade, é estimulada pelas próprias torcidas.
Há como existir paz, mas elas não querem.
O fomento à violência aumenta a procura de jovens que não estão nem aí para o futebol, mas querem pertencer a grupos que os façam sentir-se, ao menos por algum momento, poderosos — ainda que a essência seja de covardia, pois, em regra, ataca-se em bandos.
Em resumo, mais dinheiro no caixa das facções.
Nos Estados Unidos, provavelmente, estarão presentes aqueles que se aproveitam financeiramente desses idiotas.
Se a CBF fosse decente, condicionaria a ajuda a uma mudança radical de comportamento, trazendo de volta aos estádios o clima de civilidade que, durante muitos anos, reinou absoluto no futebol brasileiro.
Torcedores rivais, como ocorrerá no Mundial, dividindo espaço sem a necessidade de serem separados como se fossem animais.
É possível.
O que falta é vontade política da cartolagem de mexer nos negócios dos líderes dessas “organizadas”, que dependem do clima bélico para embolsarem — para si e para suas agremiações.