
Há alguns dias, o Blog do Paulinho revelou que o Corinthians, em ação suspeita — para não dizer ilegal —, comunicou a alteração da gestão do Arena Fundo, responsável pelas finanças do estádio de Itaquera, quando, na verdade, manteve a mesma estrutura sob nova roupagem.
Permaneceram diretores e funcionários ligados à REAG/PCC.
Existe outro fundo atrelado ao estádio, o FIP SCCP, no qual a mesma manobra foi implementada.
ASAROCK e Genial também surgem como “novos” gestores.
A ata da reunião — assim como ocorreu com o Arena Fundo, também realizada em 1º de abril, provavelmente de forma simultânea — apresenta, além dos deslizes já apontados, como a ausência de assinatura do Corinthians (apesar de constar como presente), outro fato relevante: foi lavrada em papel timbrado da REAG, empresa que sequer existe mais, extinta sumariamente em razão das falcatruas que lhe são imputadas.

No documento do Arena Fundo, ao menos, houve o cuidado de inserir o logotipo da CBSF — que, na prática, é a própria REAG sob outra denominação.
Problemas e expedientes idênticos aos verificados na “transição” do Arena Fundo repetem-se no SCCP.
Os cotistas aprovaram a substituição da administradora e da gestora sem qualquer ressalva — e, mais grave, sem que as demonstrações financeiras de 2023, 2024 e 2025 estivessem auditadas.
Houve, ainda, quitação ampla e irrestrita de todos os atos da gestão anterior.
Na prática, trata-se de um mecanismo de blindagem, que dificulta a responsabilização por eventuais irregularidades passadas.
A estrutura também acende alertas: concentração de funções, permissão para contratação de partes relacionadas e custos da transição integralmente suportados pelo próprio fundo.
Clique no link abaixo para acessar a íntegra do documento:
SCCP FIP 20260417125154UP2fb4fab46e4f403eb2ff3da2916a819c

Danilo Rua, Arena Fundo e SCCP
O Arena Fundo é responsável pela administração das receitas do estádio, enquanto o FIP SCCP define o destino desses recursos.
Nesse ambiente, surgem profissionais que transitam entre as estruturas, como Danilo Rodrigues Rua — que figurava como diretor da SPE UPI Arena S.A., empresa investida do SCCP, e hoje está vinculado à própria ASAROCK.
Também ocupou cargo de direção na Arena Itaquera S/A.
Não se trata de coincidência.
Outra nebulosidade: a SPE UPI Arena S.A., integrante da estrutura do SCCP, registrou a renúncia de Danilo Rua ao cargo de diretor em 21 de março de 2023, com termo que, inclusive, faz referência à Arena Itaquera S.A.

Essa renúncia, porém, só foi formalmente registrada em ata em 10 de julho de 2025.
Dois anos depois.

Mais grave: a própria SPE UPI Arena realizou Assembleia Geral Extraordinária em 29 de agosto de 2023 — cinco meses após a suposta renúncia — sem qualquer menção à saída do diretor.
Nela, estava presente o advogado Rui Costa, funcionário do Corinthians, integrante do Centrão, grupo ligado a Felipe Ezabella, testemunha, portanto — assim como no caso do Arena Fundo — de mais esta operação.

O silêncio documental diante de um fato societário relevante é suspeito.
Considerando que Danilo Rua atua atualmente na gestão dos dois fundos — Arena Fundo e SCCP —, ao mesmo tempo em que integra empresas satélites da REAG/PCC, há forte indício de ilegalidade.
Com anuência do Corinthians.
Deve haver algo muito valioso — e sensível — para que dirigentes, ainda que alguns iletrados, porém experientes no submundo comercial, como Osmar Stabile, e outros juridicamente preparados, como Pedro Soares, arrisquem não apenas a própria responsabilidade, mas também a saúde financeira do clube, ao consentirem com manobras que tangenciam — ou ultrapassam — os limites da legalidade.
