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Presidente do Conselho Fiscal é advogado familiar do presidente do Corinthians (com provas)

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Na última semana, a Comissão de Ética do Corinthians afastou liminarmente o bacharel em Direito Haroldo Dantas de suas funções como presidente do Conselho Fiscal, alinhando-se ao parecer do CORI, que já havia se manifestado nesse sentido.

O motivo: a estreita ligação com o Presidente da Diretoria.

Dantas é advogado de Osmar Stabile — de quem tem a obrigação de julgar as contas de 2025.

Ambos, porém, minimizam a profundidade da relação.

No clube e perante a imprensa, sustenta-se a versão — ainda assim frágil — de que Haroldo teria atuado apenas para empresas de Stabile, e não diretamente para o dirigente.

Hoje, demonstramos que a realidade é outra.

Haroldo Dantas atua como advogado da família de Osmar Stabile, detendo informações sensíveis que podem vinculá-los a compromissos de lealdade mútua — circunstância que, não raramente, influencia decisões relevantes, como as que precisam ser tomadas no Corinthians.

Há documentos que comprovam, em data recente (agosto de 2023), atuação de Dantas na defesa de Vanessa Stabile, sobrinha de Osmar — filha da irmã do mandatário alvinegro — que cumpriu pena de cinco anos de prisão, em Tremembé, por torturar, com auxílio do marido, o próprio filho, então com apenas cinco anos de idade, causando-lhe graves lesões físicas e psicológicas, incluindo queimaduras com cigarro e soda cáustica.

Trata-se de um crime de extrema gravidade — uma espécie de “Caso Nardoni” em que, felizmente, a vítima foi socorrida antes de um desfecho ainda mais trágico.

A proximidade entre as partes era tamanha que, durante saídas temporárias — após progressão do regime fechado para o semiaberto —, Vanessa pernoitava na residência de Osmar Stabile.

Há registros, ainda, de que o presidente do Corinthians a visitou duas vezes em Tremembé — em ambas as ocasiões acompanhado por Haroldo Dantas.


Vanessa Stabile

A sobrinha do Presidente, a tortura ao filho e a prisão em Tremembé

Em 29 de dezembro de 2000, Vanessa Stabile e o marido, Valter dos Santos Cruz, foram presos sob acusação de torturarem, com extrema crueldade, Bruno Stabile, à época com cinco anos de idade — hoje com 31.

A denúncia do Ministério Público de São Paulo, oferecida em 12 de maio de 2004 e acolhida pela Justiça, descreve quadro estarrecedor.


Confira:

Consta do incluso inquérito policial, que em diversas oportunidades, autônomas e independentes, em período que perdurou até o dia 29 de dezembro de 2000, na Rua Mariano Cursino de Moura, 310, Parque Maria Lúcia, nesta cidade e Comarca, VANESSA STABILE DA MAIA, devidamente qualificada às fls.31 e VALTER DOS SANTOS CRUZ, qualificado às fls.33, agindo em concurso e após prévio conluio, em perfeita unicidade volitiva, um aderindo à conduta do outro, constrangeram BRUNO STAIBLE ALMEIDA, criança de 05 anos à época dos fatos, que estava sob guarda e responsabilidade dos denunciados, com emprego de violência física, a intenso sofrimento físico e mental, aplicando-lhe castigos pessoais, superando de modo excessivo, causando-lhe queimaduras com cigarro e soda cáustica e lesões corporais descritas nos laudos de fls. 35 e 164.

Segundo foi apurado, o denunciado Valter coabitava com Vanessa, mãe biológica de Bruno, que foi gerado em seu primeiro casamento. Os ora denunciados, em razão do relacionamento, passaram a abandonar Bruno, deixando-o trancado no interior da residência, jogando lanches e alimentos, quando a criança chorava insistentemente, afirmando que ele já era “grandinho” e que deveria se virar sozinho. Também passaram a impingir castigos físicos, com perversidade ímpar e requintes de crueldade, chegando inclusive, a queimar a criança, de apenas cinco anos de idade com cigarro e soda cáustica e desferir-lhe violento soco em seu olho (laudo de exame de corpo de delito de fls. 135 e 164).

No dia 29 de dezembro de 2000, a babá Crenildes Tavares foi à casa dos patrões buscar a criança e notou que ele ostentava queimaduras pelo corpo, inclusive boca e um hematoma nos olhos. Ao questionar o garoto, ele prontamente afirmou que o hematoma era resultado de um portentoso soco aplicado por seu padrasto e que as queimaduras teriam sido produzidas com cigarro, pelos mesmos algozes.

Crenildes solicitou ajuda a sua vizinha Eladia e ambas acionaram o concurso policial, sendo o menino imediatamente socorrido ao Hospital Municipal Cármino Caricchio, onde ficou hospitalizado por 05 dias (fls. 144). O médico que o atendeu indicou agressão como hipótese diagnóstica dos ferimentos encontrados no corpo da criança, evidenciando hematoma, queimaduras e algumas escoriações (fls. 65/69).

Efetuado avaliação bio/psico/social os laudo contidos nos autos ( fls.51, 52/54, 55/56 , 60/64, 189 a 198 e 248 a 257 ), descrevem de maneira exaustiva o desvio de personalidade dos denunciados, bem como, as incansáveis narrativas de Bruno, que afirma que durante muitos anos foi violentamente agredido , surrado, humilhado pelas denunciados, bem como, as inúmeras sequelas emocionais suportadas pela indefesa vítima em razão dos fatos aqui narrados.

 


Osmar Stabile, Marcelinho Mariano e Haroldo Dantas

A atuação de Haroldo Dantas

Em 8 de agosto de 2018, já com condenação transitada em julgado, Vanessa iniciou o cumprimento de pena em Tremembé: cinco anos em regime fechado.

Poucos dias depois, em 23 de agosto, Haroldo Dantas ingressou com pedido de prisão domiciliar — indeferido de plano.

Na ocasião, juntou aos autos comprovante de residência em nome de Osmar Stabile..


Petição para Prisão Domiciliar e Procuração assinada por Vanessa Stabile a Haroldo Dantas


Comprovante de residência em nome de Osmar Stabile


Em 12 de abril de 2019, Dantas requereu a progressão ao regime semiaberto, deferida apenas em 9 de dezembro de 2019, após falhas procedimentais da defesa.

Oito meses depois.

Em meio ao desespero de Vanessa Stabile, demonstrando desconhecimento do sistema de Tremembé – em que o semiaberto é cumprido, fechado, dentro do próprio presídio, Dantas protocolou proposta de emprego vinculada à empresa BendSteel, de propriedade de Osmar Stabile, assinada pelo próprio dirigente.


Petição para progressão de pena ao regime Semiaberto


Proposta de emprego assinada por Osmar Stabile


Em 3 de março de 2020, Dantas pleiteou a progressão ao regime aberto.

O pedido foi inicialmente indeferido, diante da necessidade de exame criminológico, exigido pela gravidade do crime.

Por sorte, em razão da pandemia de COVID-19, decisão judicial posterior dispensou tais exames, resultando na liberação da detenta.


Petição para progressão ao Regime Aberto


Em 14 de junho de 2023, após o cumprimento integral da pena, Dantas requereu a extinção da punibilidade, deferida em 1º de agosto do mesmo ano.

 


Posteriormente, Vanessa voltou a enfrentar problemas com a Justiça, com registros de novas ações criminais por furto, além de pedido de familiar (irmão) para sua permanência em regime mais rigoroso, em razão de sua periculosidade.


Conclusão

Os fatos demonstram que a relação entre Haroldo Dantas e Osmar Stabile vai muito além do âmbito empresarial, alcançando situações familiares sensíveis e de alta complexidade, mantidas em sigilo até então.

Ignorar esse contexto, no ambiente do Parque São Jorge, é admitir a convivência com ostensivo conflito ético.

Ficam evidentes as razões pelas quais Stabile, apesar do escândalo, não tomou a iniciativa de afastar Dantas — e por que este se sentia seguro no cargo.

O vínculo entre ambos é profundo.

Cabe agora aos conselheiros do Corinthians agir — inclusive, se necessário, por meio do Judiciário.

Mesmo afastado pela Comissão de Ética, Haroldo Dantas, até o momento, recusa-se a deixar o cargo, sem oposição da diretoria e, possivelmente, amparado por relações que ajudaram a consolidar sua influência, algumas desvendadas no ‘caso Vai de Bet’.

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