
Em 2025, enquanto o Brasil assistia à explosão do mercado de apostas esportivas, o dinheiro arrecadado em tributos foi destinado majoritariamente a áreas como Esporte (R$ 1,6 bilhão) e Turismo (R$ 1,26 bilhão), que, juntas, abocanharam mais de 60% do total.
Segurança Pública, Seguridade Social e Educação vieram na sequência, com percentuais relevantes.
E a Saúde?
Praticamente ignorada, com menos de 1%.
O dado, por si só, já seria questionável.
Torna-se escandaloso quando confrontado com a natureza do produto que gera essa arrecadação.
As chamadas “bets” são, comprovadamente, vetores de ludopatia — o vício em jogos de azar —, com impactos diretos sobre a saúde mental, financeira e social dos indivíduos.
Endividamento, depressão, rupturas familiares e, em casos extremos, suicídio compõem o rastro desse modelo de negócio.
Ou seja: o Estado brasileiro arrecada com uma atividade que adoece, mas não direciona recursos, de forma minimamente proporcional, para tratar as consequências dessa patologia.
Mais grave ainda é observar que, no segundo semestre, após ajustes regulatórios, o setor cresceu 32,6%.
Na prática, cria-se um ciclo de dependência institucional: quanto mais pessoas apostam — inclusive aquelas que já apresentam comportamento compulsivo — maior é a arrecadação; porém, menor parece ser o incentivo político para frear o sistema.
O resultado é um modelo em que o Estado lucra com o problema e investe quase nada na solução.
Enquanto isso, movidas apenas pelo dinheiro, figuras públicas de diversos setores relevantes — muitas delas milionárias — contribuem para esse cenário ao trocar a obrigação cívica de combater o sistema pelos milhões que embolsam para mentir, seduzir e estimular essa perversidade.