
O Blog do Paulinho teve acesso aos documentos que regraram a contratação e a venda do jogador Ederson pelo Corinthians.
Em 20 de fevereiro de 2020, Andrés Sanchez, então presidente, cedeu 30% dos valores líquidos de futura transação ao jogador.
Esse crédito, em outra documentação, foi repassado a André Cury — parceiro dos presidentes da ‘Renovação e Transparência’.
Pouco antes da derrocada do grupo, há duas eleições, Duílio ‘do bingo’ assinou confissão de dívida com o agente, anuindo, sem contestação ou evidência de negociação, a multas, juros e demais cobranças, que agora estão sendo executadas por via judicial.
Não seria raro que o percentual cedido (30%) fosse dividido pelo intermediário com cartolas.
No dia 30 de janeiro de 2022, o Corinthians negociou Ederson ao Unione Sportiva Salernitana 1919 S.r.l. por € 6,5 milhões.
R$ 39,2 milhões na cotação atual.
Destes, R$ 11,76 milhões ficariam com Cury e seus facilitadores.
O clube, porém, realizou uma antecipação de crédito.
Em vez de receber os € 6,5 milhões, consta que entraram apenas € 5,9 milhões — perda que, no valor convertido, alcança R$ 3,6 milhões.
Cury não recebeu o percentual sobre o valor descontado, ou seja, cerca de R$ 1 milhão a menos.
É essa diferença que o agente, em ação conjunta com o jogador, cobra do Corinthians na Justiça, evidentemente com incidência de juros e demais custas processuais.
Detalhe importante: apesar de ter negociado com Ederson e Cury, o Corinthians transferiu os 30% que cedeu a ambos para a conta de uma terceira pessoa, de nome Myckaela Santiago.
Trata-se da esposa do atleta.
O que não deixa de ser estranho, dificultando uma justificativa na contabilidade do clube e, em sendo o caso, mascarando o possível rastreamento de repasses indevidos a dirigentes.
Vale lembrar: o crédito já não era mais de Ederson, mas de André Cury, que possui contas correntes pessoais e também em nome de empresa.
