
Detentor do melhor estádio do país — construído a peso de ouro e pago a duras penas para proporcionar conforto ao torcedor — o Corinthians, ao longo dos anos, seja por descaso, seja para agradar uma minoria que atua como guarda pretoriana da diretoria, tem contribuído para a deterioração do próprio patrimônio.
São visíveis as áreas que, pela ausência de manutenção adequada, encontram-se em decomposição.
Há também o desprezo ao torcedor mais pobre.
Os setores mais baratos da Arena são reservados às torcidas organizadas, que, há alguns anos, exigiram a retirada das cadeiras.
Então aliado dessas facções, o grupo Renovação e Transparência obedeceu.
O público mais humilde, quando raramente conseguia espaço no local — normalmente em jogos de menor apelo — adquirindo as “sobras” das organizadas, via-se alijado do conforto proporcionado aos demais frequentadores, como se estivesse condenado, por sua condição social, à inferioridade.
Agora, a discriminação será ampliada.
Prometida por Augusto Melo, a retirada das cadeiras do setor Sul será efetivada por Osmar Stabile durante a paralisação dos campeonatos para a Copa do Mundo.
Em síntese: mais espaço para as facções, menos para os torcedores humildes.
É como se a Arena fosse transformada em dois estádios.
Nas laterais, um padrão Copa do Mundo; atrás das metas, uma espécie de “Rua Javari” ampliada — sem que, porém, os torcedores comuns possam frequentá-la, substituídos por faccionados acumpliciados ao presidente.
Seja ele qual for.