
Após longa negociação, o Corinthians contratou por empréstimo o meio-campista Alisson, do São Paulo.
Não se trata, como é de conhecimento público, de um craque.
Em 188 partidas pelo Tricolor, o jogador marcou apenas oito gols.
Ainda assim, o Corinthians aceitou os seguintes termos:
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R$ 1,5 milhão pelo empréstimo;
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R$ 1,5 milhão caso Alisson atue por, no mínimo, 45 minutos em 20 partidas — meta que, na prática, tende a ser facilmente atingida;
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R$ 15,5 milhões para aquisição em definitivo;
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Salário mensal de R$ 600 mil, quase o dobro do que recebia no São Paulo (R$ 350 mil);
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R$ 2 milhões a cada vez que o atleta entrar em campo contra o ex-clube durante o período de empréstimo.
O negócio soa temerário, considerando o rendimento modesto do jogador e a delicada situação financeira do Corinthians.
A operação, porém, passa a fazer mais sentido quando se observa quem intermediou a negociação.

O empresário responsável é Nicolo Arcuri Junior, conhecido como Nick Arcuri — credor do Corinthians e parceiro histórico de Kia Joorabchian e Giuliano Bertolucci, este último, segundo informações de bastidores, novamente bem acolhido na gestão Osmar Stabile.
Além de Alisson, Arcuri possui outros seis atletas vinculados ao Parque São Jorge: Bahia, Thomas Lisboa, Lucca Caramico, Marco Antônio, Gustavo Duarte e Otávio.
Sua atuação no clube remonta aos tempos da gestão Renovação e Transparência.
Foi por meio da parceria Kia/Arcuri que, em 2017, o jovem Vitinho realizou período de testes no Manchester City, levado pelo então dirigente da base Augusto Melo.
A atual presidência sustenta que a contratação de Alisson foi um pedido de Dorival Júnior, técnico que trabalhou com o jogador no São Paulo.
O treinador, por sua vez, é apontado nos bastidores como o proprietário de fato da agência Khodor Soccer, formalmente registrada em nome do cunhado, Edson Khodor.
Arcuri e seus parceiros mantêm a fama de saber agradar seus facilitadores.
Não há ingênuos neste negócio.
Vale lembrar que o atual presidente do Corinthians, quando ainda conselheiro, agenciou o atacante Wilson durante a gestão Andrés Sanchez.
Os personagens envolvidos são velhos conhecidos dos bastidores alvinegros.