
Ontem, a Polícia de São Paulo protocolou o relatório final do inquérito que investiga o desvio de dinheiro do Corinthians para contas controladas pelo PCC – o famoso caso Vai de Bet.
Aos indiciados Augusto Melo, Marcelo Mariano, Sergio Moura e Alex Cassundé, juntou-se Yun Ki Lee, a quem a polícia atribui omissão deliberada para que o negócio fosse sacramentado.
O advogado teria “afrouxado” as checagens sobre a patrocinadora.
Caberá agora ao MP-SP propor a ação criminal, e à juíza do caso aceitar a denúncia para que os indiciados se tornem réus por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado — no caso de Yun, por omissão imprópria.
Os trabalhos policiais não se encerram por aqui.
O Blog do Paulinho teve acesso aos mais recentes relatórios de investigação — o financeiro (parte 2) e o de inteligência — que contribuíram para o documento apresentado ontem à Justiça e serviram de base para a abertura de novos inquéritos.
Publicaremos a íntegra em breve — são mais de 600 páginas, atualmente em processo de digitação.
Além dos indiciados, surgem novos suspeitos que, desde então, passaram a ser investigados — e assim continuam no momento.
Alguns atuam, ainda, no Corinthians — entre eles Haroldo Dantas, atual presidente do Conselho Fiscal, que, por razões óbvias, não deveria mais ocupar o cargo.
São eles:

- Bruno Alexssander Souza Silva (Buzeira)
Buzeira é investigado por associação com o PCC. Milhões de reais circularam entre suas contas e as das empresas WAVE, VICTORY Trading e UJ Football — estas, segundo a polícia, utilizadas para lavar dinheiro desviado do Corinthians em benefício do crime organizado.
O rapper negociava parcerias com as categorias de base do clube e esteve, diversas vezes, com Augusto Melo. - Haroldo Dantas
Conselheiro fiscal do Corinthians, o advogado é investigado por ligações com a UJ Football — destino final do dinheiro desviado do clube por meio de contas ligadas ao PCC. - Marcos Boccatto
Parceiro de Augusto Melo, é tratado como ponte entre o Corinthians e negociações possivelmente criminosas com o Água Santa, clube investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.
Confira trecho do relatório de inteligência:
“Definitivamente, esse conjunto de conexões – Corinthians, NEOWAY, WAVE, Gritzbach, Buzeira, UJ Football, Haroldo/ Corinthians, Boccatto, Água Santa – não pode ser considerado típico nem acidental”
“Está muito claro, pelo exposto, os caminhos tortuosos e ilegais que o dinheiro percorreu a partir do momento e que saiu dos cofres corinthianos”
“Até chegar na UJ Football, passou por empresas manifestamente fantasmas e, tudo indica, recebedoras ‘em trânsito’ de valores escusos provenientes do crime organizado e de outras estruturas delitivas”
“Sem embargo, havia na diretoria do clube um integrante que, por nomeação de Augusto, ocupava o cargo de Superintendente de Novos Negócios

- Marino Rosa
Agente de jogadores e sócio de Augusto Melo desde os tempos de União Barbarense. É investigado por negócios com Danilo “Tripa”, da UJ Football, tratado como membro do PCC. - Thiago Laurindo
Sócio de Augusto Melo no União Barbarense. Investigado por ligações com Danilo “Tripa”.
Trecho do relatório de inteligência:
“Em suma, há uma nítida parceria entre TRIPA (sócio da Lion e delatado por ligação com a UJ Football) e Thiago Laurindo, que trabalhou com AUGUSTO no Barbarense, e entre Laurindo e Marino Rosa, que continua a frequentar, ainda que com discrição, os meandros do clube de Parque São Jorge”
“Irrefutavelmente, os elementos reunidos evidenciam um padrão de atuação entre empresários, ex-dirigentes e figuras atualmente vinculadas ao Sport Club Corinthians Paulista, alguns com vínculos anteriores, no União Barbarense, revelando conexões persistentes no entorno das categorias de base e em transações com atletas”
“A presença de nomes como Marino Rosa, Thiago Laurindo e Danilo Lima de Oliveira – este último supostamente ligado à UJ Football – indica a existência de uma possível rede articulada, cuja atuação, sob o pretexto de intermediações esportivas, revela indícios de conflitos de interesse, favorecimentos indevidos e potenciais ilícitos conexos”

- Valmir Costa e Claudinei Alves
Sócios de Augusto Melo desde antes do União Barbarense, atuaram na base do Corinthians durante a gestão recente. São investigados por negociações com intermediários supostamente ligados ao crime organizado.
Trecho do relatório:
“A sobreposição de nomes – Marino Rosa, Thiago Laurindo, Valmir Costa, Claudinei Alves, Danilo (Tripa), UJ Football e até Igor Zveibrucker, empresário que AUGUSTO confirmou ter emprestado dinheiro ao clube – indica a existência de uma rede relacional estável, que, embora formalmente desconectada, atua de maneira coordenada e estratégica, com inserção na estrutura interna do Corinthians e trânsito privilegiado em seus departamentos.

- Igor Zveibrucker
Investidor principal da campanha de Augusto Melo. É investigado por suspeita de operar dinheiro do crime organizado, atuando, em alguns casos, com Marino Rosa e a UJ Football. - Juan Martín Lucero
Em dezembro de 2023, o jogador do Fortaleza enviou R$ 357,3 mil à WAVE e R$ 130 mil à VICTORY Trading. A polícia acredita que ambas as empresas estão sendo utilizadas pelo PCC para lavar dinheiro do futebol. - Antonio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS)
Empresas ligadas a Careca, acusado de fraude e desvio de recursos de aposentados do INSS, transacionaram R$ 1 milhão com a WAVE. - Victor Henrique de Oliveira Shimada
Operador da VICTORY — empresa de fachada que atua em conjunto com a WAVE, UJ Football, entre outras. Preso recentemente pela Polícia Federal, furtou, há poucos dias, um automóvel do jogador Ferreirinha, do São Paulo. - Ulisses Jorge
Dono da UJ Football, acusada de usar transações de jogadores para lavar dinheiro do PCC. - Danilo Lima de Oliveira (Tripa)
Apontado como membro do PCC, sócio oculto da UJ Football e dono da Lion Soccer — ambas acusadas de lavar dinheiro para o crime organizado. - Leo Moura
Ex-jogador, apontado como um dos “testas de ferro” da UJ na Europa.