
Nove meses após, o Corinthians anunciou para sexta-feira a prometida entrevista coletiva tratada como ‘dia da transparência’, em que a diretoria do clube promete contar, entre outras coisas, podres da gestão anterior.
Seria ótimo se fosse verdade.
Trata-se, porém, de roteiro imposto pela nova empresa de fake-news contratada a custo de R$ 90 mil mensais.
O plano é, diariamente, encontrar manchetes que sobreponham-se a assuntos espinhosos, como o processo de impeachment em andamento contra o presidente, e, principalmente, as razões que motivaram a demanda.
Caso Vai de Bet, entre outros.
Do passado, porém, nada relevante poderá ser revelado.
Não que inexistam, mas porque boa parte da atual gestão fez parte dos principais problemas.
As finanças da Renovação e Transparência foram geridas, quase o tempo todo, por Raul Corrêa da Silva, atual diretor cultural alvinegro.
Exagerar nas críticas seria comprometer o dirigente.
Parte relevante da dívida, entre as quais a do estádio, tem as digitais de Corrêa.
O futebol de base, hoje, é gerido pelos mesmos que foram demitidos, no passado, em meio a denúncias de corrupção – o presidente Augusto Melo entre eles.
Todos sobreviventes de transações de jogadores.
Diante desta realidade, serão apresentadas revelações possíveis dentre as menos comprometedoras.
O ato servirá para municiar redações, pautar influencers e fazer esquecer, por alguns dias, os graves problemas que afligem o Corinthians.
Entre os quais, de transparência.
Ou a diretoria explicará o descumprimento deliberado do Estatuto, que obriga a publicação, mês a mês, dos balancetes financeiros, as promessas, nunca cumpridas, do detalhamento das contratações e a manutenção no cargo Marcelo Mariano, diretor responsável, a mando do presidente, por devolver o clube às páginas policiais’?
Pão e circo.
Em meio à necessidade de esconder as coisas erradas, o Corinthians passa pelo constrangimento do tratamento de grande estrela do futebol mundial dispensado a Memphis Depay.
O holandês ocupa, se tanto, a prateleira média da estante dos jogadores em atividade no planeta.
Nem mesmo a melhor Holanda de todos os tempos o teria entre os relacionados.
De memória, é possível apontar, somente no Corinthians, uma infinidade de jogadores superiores a Depay.
Para ficar entre os mais recentes, citando apenas meio campistas ofensivos e atacantes: Rivellino, Sócrates, Zenon, Marcelinho Carioca, Luizão, Edilson, Carlitos Tevez, Ronaldo ‘Fenômeno’, Guerrero, Emerson Sheik, etc.
O exagero, inclusive dos valores envolvidos, é caso pensado, acolhendo, em todos os sentidos, as necessidades dos dirigentes.
Em meio às ‘cortinas de fumaça’ que envolvem espertezas e irresponsabilidades, o 53º jogador foi contratado para as categorias de base, e, há pelo menos uma semana, o impeachment deixou de ser o assunto principal da mídia.