
Há anos, Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, sobrevive, politicamente, da imagem de ‘Xerife’, herdando do pai até o símbolo da estrela colocada no peito dos policiais americanos.
O comportamento, porém, passa ao largo.
Para Tuma, a narrativa sempre superou o que era efetivamente comprovado.
Foi assim, por exemplo, quando se meteu no caso Celso Daniel e distorceu, mesmo sem ser o delegado principal, toda a investigação – chegou até a ser acusado por uma das testemunhas.
Sem apresentar provas, terminou ridicularizado.
Quem quiser constatar, basta acessar o documentário sobre o tema em exibição na Globoplay.
No Corinthians, Tuma se meteu com a MSI, quando, com razão, questionou a origem do dinheiro investido na parceria com o clube; neste caso, também por evidências.
A bem da verdade, robustas.
Menos, porém, do que as provas que agora ignora no caso Vai de Bet.
Os casos relembrados, dentre dezenas possíveis, servem para emoldurar a atuação de Tuma Junior, na condição de Presidente do Conselho, no suspeito episódio da casa de apostas.
Há comprovação, segundo a polícia, de ‘lavagem de dinheiro’; evidências da participação de cartolas também são fortes.
O intermediário, Cassundé, trabalhou na campanha do Presidente, que esteve no escritório do sujeito, no mínimo, três vezes – uma delas imortalizada no Youtube, quando realizou uma ‘live’ com seus influencers.
Durante a semana, o vice-presidente Armando Mendonça afirmou, em depoimento à polícia, que Augusto Melo soube, antecipadamente, da movimentação criminosa, mas decidiu não investigar.
Marcelo Mariano, diretor que mandou pagar a comissão ao ex-colaborador de Augusto, segue no cargo.
Enquanto isso, Tuma, que não convoca Reunião para investigar Augusto Melo, o faz com Alex Cassundé, sabedor de que o sujeito, por óbvio, não compareceria.
Medida que, como as anteriores, objetiva, por motivações políticas, atrasar as apurações.
A realidade de Tuma Junior segue sobrepondo-se diante do personagem.
O resultado, tudo indica, não será – como calcula o ‘Xerife’ – o de repasse de apoio à sua iniciada campanha presidencial (já tem até assessoria de imprensa), mas o de nova desmoralização.
Enquanto isso, o Corinthians sangra.