
Se antes as conveniências acomodavam as diferenças, agora, após todos terem conquistado as posições de poder que almejavam, a guerra se escancarou.
Augusto Melo e Rubão de um lado; Tuma Junior, do outro.
Presidente da diretoria e Diretor de Futebol contra o Presidente do Conselho Deliberativo.
Recentemente, para não perder o costume, Augusto Melo mentiu ao dizer que a diretoria anterior utilizava-se de 15 carros de luxo, blindados, durante a gestão.
Disse ainda que vendeu os veículos – outra lorota.
Por conta disso, o ex-presidente Duílio ‘do Bingo’ peticionou ao Conselho para que Augusto fosse convocado para provar as afirmações.
Tuma, que esperava uma oportunidade para colocar Augusto na parede, abraçou a ideia e concedeu prazo para a resposta.
Após não ser atendido, o ex-delegado, como de hábito, vazou o episódio à imprensa.
Diante da repercussão, Melo prometeu enviar, ainda hoje, as respostas.
Enviará?
Se o fizer, terá que passar pelo vexame de desdizer o que inventou, sob risco de instauração de processo disciplinar.
Eis o ponto.
Além da animosidade explícita, amplificada quando Augusto Melo hesitou em apoiar Tuma à presidência do Conselho, conforme prometido em campanha, há uma ferrenha disputa pela vaga de Diretor de Futebol.
Trata-se de outra promessa de campanha descumprida.
Augusto garantiu ao ‘União dos Vitalícios’ — grupo de Tuma, que o cargo seria entregue a um representante escolhido por eles.
Não foi.
Enquanto Rubão – o diretor empossado – não for derrubado, Tuma Junior utilizará cada deslize do Presidente como forma de pressioná-lo pelo objetivo.
Somente os resultados dentro de campo poderão amenizar o problema.
Se o futebol brilhar, não há quem retire Augusto e Rubão de seus cargos – ainda que, eventualmente, flagrados com dinheiro caindo dos bolsos.
Porém, qualquer fracasso resultará em confrontos sangrentos em Parque São Jorge.
Augusto deve seis anos de sustento pessoal a Rubão e não poderá retirá-lo do cargo – a não ser para colocar algum fantoche do cartola no lugar.
Tuma, que exige o nome do aliado político Fran Papaiordanou na diretoria de futebol – cargo que já ocupou no passado, tem em mãos a prerrogativa de pautar possível processo de impeachment da diretoria.
Se não houver acerto entre as partes, o que é possível porque o ex-delegado é especialista neste tipo de tratativa, o ambiente do Corinthians não será dos melhores nos meses que estão por vir.