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Direitos de TV: Corinthians está entre a certeza, a irresponsabilidade e a imoralidade

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Errou o agente de jogadores Augusto Melo, presidente do Corinthians, ao não aceitar proposta da Libra para compra dos direitos de transmissão dos jogos do clube no Brasileirão.

Por diversos aspectos.

O valor, de R$ 200 milhões, se não é ainda o sonhado pelo alvinegro, é o único amparado em oferta palpável, garantido pela credibilidade da Rede Globo – que, em décadas, nunca descumpriu o acordado.

Além disso, é certo que todos os anunciantes da agremiação preferem que suas marcas estejam expostas na emissora de maior audiência do país – o que agrega valor em possíveis renovações.

As outras opções, nos termos propostos, não deveriam sequer ser levadas em consideração.

A Liga Forte ‘promete’ correr atrás do dinheiro da TV, garantindo ao Corinthians, no mínimo, R$ 180 milhões, que seriam adiantados pela XP em contrato de empréstimo.

Ou seja, com incidência de juros.

Os R$ 180 milhões, portanto, não são líquidos, contando ainda com a possibilidade do Corinthians descumprir prazos e se enrolar noutra dívida complicada.

A proposta da BRAX, de R$ 240 milhões – podendo chegar a R$ 270 milhões – é temerária em todos os sentidos.

Assemelha-se ao contrato descumprido pela mesma empresa com a CBF.

À ocasião, a BRAX prometeu R$ 200 milhões anuais pela transmissão dos jogos da Série B; entregou apenas R$ 60 milhões – porque, assim como a ‘Forte’, o negócio é garantir valor mínimo para, depois, correr atrás de interessados.

Devendo quantia considerável à Casa Bandida e sem perspectiva de melhora em 2024, o acordo foi rompido, dias atrás, sem que se saiba, ainda, as consequências.

Os dois lados se acusam, ambos sem credibilidade.

Outro fator temerário, entre tantos, num possível novo acordo do Corinthians com a BRAX – extraoficialmente controlada por sites de apostas, seria amarrar o clube em dois grandes negócios com a mesma empresa.

Que peso teria nas contas do Corinthians se os mais de R$ 48 milhões anuais prometidos pela venda de placas de publicidade (em contrato vigente) e os R$ 240 milhões da TV (se assinados), por razões quaisquer, não consigam atingir a meta acordada?

Seriam R$ 288 milhões previstos – com despesas calculadas pela entrada de dinheiro – fora dos caixas do clube.

Como o Corinthians conseguiria receber da BRAX?

A empresa foi criada em 2021 com capital social de apenas R$ 100 mil.

Os sócios da BRAX são Bruno Rodrigues, Javier Palmerola Fernandez e Antônio Carlos Gonçalves Coelho, ligados a Kleber Leite, um dos protagonistas do ‘Fifagate’.

Em setembro de 2023, Bruno foi ouvido na condição de testemunha na CPI da Manipulação de Apostas Esportivas.

Suas respostas foram preocupantes; selecionamos as principais:

Deputado: vocês não tem o recurso em caixa e em cima da perspectiva do faturamento é que é feita a proposta (aos clubes)… correto?

Bruno: Correto

Deputado: quais são as plataformas de apostas de jogos de azar que fazem anúncio por intermédio da Brax Sports nas placas de estádios de futebol do Campeonato Brasileiro?

Bruno: Betano, Bet Nacional, 1XBet, Pagbet e Mr. Jack

Deputado: as plataformas de apostas que contrataram a Brax Sports possuem representantes legais no país? Possuem CNPJs aqui no nosso país?

Bruno: Eu não sei te precisar esta informação… a gente pode apurar também e repassar pra Comissão.

Deputado: o senhor acredita que as plataformas que exploram diversos jogos de azar sediados no exterior, além de apostas esportivas, atuam de forma lícita no nosso país?

Bruno: eu não sei te responder, Deputado

Deputado: a Brax teve lucro contábil, na sua história, que pode fazer uma proposta nesse montante?

Bruno: na realidade, o que sustenta nossas propostas é a nossa capacidade de gerar receita

Deputado: coincidentemente após as parcerias com as Bets, as empresas de casas de apostas, num ‘passe de mágica’, essa empresa Brax se torna, então uma potencia no ponto de vista de remuneração dos clubes… de remuneração no seguimento… (…) e ganham todos os contratos… contratos que vão a R$ 3 bilhões (da CBF)…

Deputado: qual o motivo do Sr. Alexandre, gerente geral da Betano no Brasil, negociar a compra de direitos do Campeonato Brasileiro da Série A com alguns clubes?

Bruno: na realidade, o Alexandre Fonseca atuava como ‘country manager’ da Betano… nós nos aproximamos… e ele participou, efetivamente, de algumas negociações, até, obviamente, evoluir a nossa relação pra participar, efetivamente, de algumas negociações envolvendo a Brax…

Deputado: houve algum registro de pagamento, direto ou indireto, proveniente da Brax ao Sr. Alexandre Fonseca (Betano)?

Bruno: sim… na realidade o Alexandre atua hoje como uma espécie de representante da Brax na comercialização, especificamente, das cotas de patrocínio pro seguimento ‘Bet’… obviamente à época, quando ele estava na Betano, excluindo a Betano… a quem ele sempre priorizou… com todas as relações Betano e Brax

Deputado questiona sobre garantias de cumprimento de contrato da Brax com os clubes

Bruno: a gente oferece um valor… uma forma de pagamento… essas entidades avaliam e, enfim, contratam ou não contratam… então não há essa necessidade de uma fiança bancária ou o que quer que seja porque a natureza do nosso negócio nos permite fazer uma oferta que deixa o clube confortável… a CBF, a Federação ou quem de direito.

A gente faz a oferta, forma de pagamento e valor… a entidade esportiva, seja um clube, a CBF ou uma federação concorda com a nossa proposta… após concordar com essa proposta e assinar o contrato conosco, obviamente a gente vai ao mercado arregimentar recursos de patrocinadores de todos os seguimentos, e esses patrocinadores subsidiam a operação que assegura a execução do contrato.


CONCLUSÃO

Entre a certeza de um contrato com a Globo, a irresponsabilidade de um empréstimo com a XP e a imoralidade de uma parceria com preposta de casas de apostas, não há dúvida sobre qual o caminho mais seguro a ser escolhido pela gestão do Corinthians.

Resta saber se o objetivo é, realmente, realizar o melhor negócio para o clube ou o que agrade mais aos interesses pessoais de seus dirigentes.

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