
Rozallah Santoro, diretor de finanças do Corinthians, colocou a diretoria do clube em situação apertada após revelar que o custo do jogador Igor Coronado, de 33 anos, que passou quase toda a carreira entre o brilhante campeonato de Malta e a segunda divisão da Itália será de R$ 2 milhões mensais.
Sabia-se, até então, que o atleta embolsaria R$ 1,5 milhão – entre salários, luvas e imagem.
E já era muito.
No desespero, diante da piora da repercussão, tanto Corinthians quanto Santoro alinharam o discurso e atribuíram a diferença a pagamento de comissões.
Ficou pior a emenda do que o soneto.
Por que o Corinthians precisará pagar comissão se é o comprador do jogador, não o vendedor?
Além disso, Coronado estava disponível no mercado.
Para quem será paga esta quantia? E por que?
Ontem, logo após as lambanças, influencers e jornalistas que atuam como tal foram instruídos a exaltarem a ‘transparência’ de Santoro, apelido que deram ao deslize – sem contestar os valores pagos para o jogador.
O clube tem publicado em seu site detalhes das transações que não comprometem a cartolagem.
Tempo de contrato, valor pago pela aquisição, etc.
Esconde, porém, sob argumentação da legislação, os valores referentes a direitos de imagem e luvas, que servem para inflar o rendimento em torno do atleta e, na maioria dos casos, retornam a bolsos de terceiros.
Estes dados, oficialmente, são negociados entre CNPJs, não estando, portanto, preservados pelo sigilo trabalhista.
Assim como, e principalmente, os valores de comissionamentos.
O de Coronado vazou porque Santoro, deslumbrado com a mídia gerada pelo cargo, tem falado demais.
Augu$to Melo descumpriu várias promessas de campanha durante o primeiro mês de gestão, entre as quais – também exposta pela língua de Rozallah, a redução da folha salarial.
Apesar da mudança de diretoria, os métodos do departamento de futebol permanecerão exatamente como estavam.
Até porque os objetivos são os mesmos.
No financeiro, o pano será passado pelo mesmo grupo que teve em Raul Corrêa da Silva o mentor do endividamento fiscal – a maior parte da pendência alvinegra -, além da assinatura mais presente nos contratos da Arena de Itaquera.