
Desde os tempos de Fórmula 1, Nelson Piquet era notado não apenas pelo inegável talento automobilístico, mas também pelos preconceitos e ausência de limites éticos que demonstrava nos bastidores.
À época, minimizados pelo desempenho esportivo.
Porém, quando Ayrton Senna surgiu, brilhou e o superou, tudo isso se juntou a profundo sentimento de inveja, além do rancor contra a Rede Globo, que acolheu o novo piloto como prioridade.
O contraste também se evidenciou.
Senna era grande ser-humano, Piquet, manteve-se o que sempre foi.
Do DNA comprometido surgiu um filho expulso, por ilegalidade, da Fórmula 1 e, em vez de repreendido, acolhido como vítima.
Talvez até fosse, mas do convívio, desde a infância, com gente que não presta.
Após décadas de ódio reprimido, Bolsonaro elegeu-se presidente.
Piquet se viu representado e apareceu como chofer da posse, evidenciando o caráter.
De lá para cá, sentindo-se confortável para destilar preconceitos, mentiras e ofensas em defesa do bolsonarismo, além de protagonizar estranhas e caras doações à segunda campanha de Bolsonaro, o ex-piloto foi se comprometendo.
Aparentemente em contrapartida, milhões foram liberados pelo Governo à empresa de Piquet num serviço contratado sem licitação.
Agora, joias caríssimas, que deveriam estar nos cofres públicos, foram escondidas em sua propriedade, levadas por Bolsonaro, na calada da noite, por rotas alternativas de suas residências oficiais, pouco antes da fuga aos EUA.
Muitas suposições estão sendo realizadas.
Estaria Piquet apenas guardando, ilegalmente, os produtos?
Seria receptador?
Se não fossem descobertas, Piquet seria capaz de, em nome de Bolsonaro, vendê-las para embolsar uma parte e liberar o grosso do dinheiro a Bolsonaro?
Especula-se ainda que as joias poderiam ser pagamento de propinas para Bolsonaro, por conta de vendas abaixo do preço de empresas nacionais aos generosos árabes, os presenteadores.
Somente a ele?
Todas estas especulações, baseadas em junções de fatos, e joias, deverão ser apuradas nos próximos meses; certeza, por enquanto, é que imaginava-se impossível Nelson Piquet ficar ainda mais sujo, mas o ex-piloto surpreendeu.