
Nunca tive dúvidas em apontar o melhor piloto brasileiro de todos os tempos, um dos maiores do Planeta – se não o maior: Ayrton Senna da Silva.
Isso não me impediu de exaltar o talento de Nelson Piquet, o segundo.
Pessoalmente, apesar de saber deles apenas pelo que era noticiado (eu ainda não era jornalista), tinha simpatia por Senna, e um sentimento quase de dó pela evidente amargura de Piquet, apesar dele, invariavelmente, demonstrar-se como sujeito escroto.
Teria sido dele, segundo consta, a origem do boato sobre a suposta homossexualidade – como se fosse demérito, nunca comprovada e desmentida, de Ayrton.
É fato que a Rede Globo preferia Senna do que Piquet, que, diante disso, nunca perdeu a oportunidade de cutucá-la.
Porém, nada desnudou mais o amargurado piloto do que a proximidade com Bolsonaro.
Ela, em si, já diz muito sobre seu caráter.
Fomentado pelo discurso bolsonarista, Piquet, além de emprestar a imagem ao Genocida – que passou a tratá-lo, em diversos palanques, na condição de amigo -, para agradá-lo tem sacado a expressão ‘GloboLixo’ de seu limitado repertório de palavras.
Fosse apenas pela ‘dor de corno’, por ter sido tratado como inferior a Senna pela emissora e por vê-la denunciar as falcatruas de seu filho Nelsinho, humilhantemente expulso da Fórmula 1, seria, dentro do contexto da incultura de seu comportamento, até compreensível, embora, evidentemente, criticável.
Mas não é.
Piquet utiliza seu trauma como pano de fundo para beijar as mãos e pés sujos de sangue de um psicopata.
Trata-se das poucas vezes em que fiquei triste por ter acertado tudo que pensei sobre alguém.