
É praxe, embora não devesse ser, conselheiros do Corinthians retirarem, no mínimo, dois ingressos gratuitos a cada rodada, em jogos disputados na Arena de Itaquera.
Em tese, deveriam ser pessoais, intransferíveis e, claro, proibidos de serem revendidos.
O leitor deste blog, sempre bem informado, sabe que boa parte destes conselheiros, ligados à gestão, além de retirarem entradas às dezenas, fornecem-nas, em consignação, a prepostos de torcidas “organizadas”, para que estes comercializem o que receberam de graça, com o lucro dividido entre as partes.
É incalculável o prejuízo do Corinthians.
Ontem, na partida entre Corinthians e Flamengo, tivemos mais um flagrante que pode remeter a este tipo de prática.
Circula em grupos de wathsapp de conselheiros do clube, foto de um sujeito, trajado com a camisa do “Comitê de Preservação da Memória Corinthiana”, ligado a Ernesto Teixeira, puxador de samba dos Gaviões da Fiel, ao lado doutro, segurando ingresso para o clássico, em nome do conselheiro Jacinto Antonio Ribeiro, com os seguintes dados:
- Cliente: Antonio Jacinto Jaça (Jaça é o apelido de Jacinto no ramo da jogatina informal);
- Documento: 0 (zero);
- Fileira: (em branco)
- Cadeira: 000
- Portão B, Torre – N10 – Inteira- Sul (setor dos “Gaviões da Fiel, sem cadeiras, atrás de uma das metas);
- PDV 015, Lídia (responsável pela impressão)
- Data da impressão: 28/07/2017, às 17h23m18s

Os dados apresentados neste ingressos tornam ainda mais suspeita a operação por conta de que ingressos impressos para conselheiros não são destinados ao referido setor, mas sim, por razões óbvias, às parte nobres do estádio (onde Jaça, frequentemente, é encontrado).
Fica a impressão, quase certeza, de que muitas entradas para jogos do Corinthians, utilizadas pelas “organizadas”, se checadas, estão impressas nesse mesmo sistema.
Jacinto, para agravar ainda mais a situação, é Diretor Geral das Categorias de Base do Corinthians, ou seja, dos principais nomes da gestão Roberto Andrade, com ligação estreita e notória com o ex-presidente Andres Sanches, a quem apresentou o Parque São Jorge décadas atrás.

