O empresário Paulo Garcia, dono da Kalunga, quando candidato a presidência do Corinthians, bradava, em meio às bravatas habituais que cercam seus procedimentos: “Tem que ter ficha limpa no Corinthians! Candidato precisa ter ficha limpa!”.
Na prática, do discurso, nada se aproveitava.
Garcia desembolsou R$ 600 mil da Kalunga (disfarçados em doações da empresa Spiral, controlada pela citada) para ajudar a eleger Andres Sanches (PT) ao cargo de Deputado Federal.
A ficha do parlamentar é amplamente conhecida pela população.
Na última semana, pelo menos em duas oportunidades, o empresário reuniu-se, em restaurantes de São Paulo, com Andres Sanches (PT) e seu agora Chefe de Gabinete, André Negão, preso três vezes em flagrante por contravenção ligada ao Jogo de Bicho.
Digamos, uma ficha bem longe da higiene conclamada por Garcia.
Aliás, o próprio, responde a processo por acidente de trânsito, do qual é réu à revelia, e dificilmente deverá escapar de alguma punição.
Voltando à reunião gastronômica, um dos assuntos, segundo informações, tratados em meio ao nível “elevadíssimo” das discussões, foi acertar o financiamento de campanha de Andre Negão, que anseia candidatar-se a vereador de São Paulo, nas próximas eleições.
Direta ou indiretamente (no velho estilo Garcia de “pedir” a fornecedores que o façam), o ex-bicheiro será agraciado.
Há quem diga, até, que em contrapartida, Paulo Garcia poderia receber apoios de Sanches nas eleições do Corinthians, numa espécie de união “fajuta” entre um oposicionista que há tempos não se opõe, e uma situação formada pelos que eram antes tratados pelo empresário como “fichas sujas”.
