Do “O ESTADO- MS”
Por BRUNO ARCE
Reportagem conversa com jornalistas PVC, Mauro Cezar Pereira e Paulinho que analisam o esporte no país e o que tem que ser feito depois do 7 a 1 alemão
A derrota para Alemanha por 7 a 1, no dia 8 de julho, no Mineirão, em Belo Horizonte, foi a maior goleada sofrida pela seleção brasileira em Copas do Mundo.
O resultado virou assunto nacional, nas ruas, nos noticiários e nas redes sociais, todos buscam entender o que aconteceu com o futebol brasileiro, que tanto se orgulha de ser cinco vezes campeão mundial.
Para o comentarista dos canais ESPN, Mauro Cezar Pereira, é uma mancha que a seleção brasileira vai carregar para o resto da história e até quem não nasceu saberá que um dia, em 2014, o Brasil foi surrado pela seleção alemã, como aqueles que nasceram depois de 1950 sabem desde “criancinha” que a seleção brasileira perdeu a Copa para o Uruguai.
O título da Copa das Confederações de 2013 serviu de “cortina de fumaça” para esconder a falta de competência do técnico Felipão.
“Foi trabalho todo errado. Técnico ruim, time mal montado. Jogadores até bons, mas dirigidos por um treinador obsoleto, uma coisa que vinha falando desde ano passado. A seleção brasileira nunca teve um bom time. E o que houve, que o resultado deste time mal montado pelo seu técnico resultou no maior vexame da história”, comenta.
“Não existe uma receita para ser campeão mundial. O Brasil ganhou dois títulos, com Ricardo Teixeira, um cara péssimo. Só não foi campeão agora no Brasil se não tivesse um técnico péssimo, e com Marin no comando. A Argentina chegou à final com Julio Grondona, um guru do futebol que perpetua no cargo desde 1979. Para ganhar a Copa do Mundo, o Brasil precisa ter apenas um bom técnico”, afirma Mauro.
Paulinho cita jogadores medíocres, problema desde as categorias de base e fala que até os pais têm culpa
O jornalista Paulo Cezar de Andrade Prado, criador do Blog do Paulinho, voltado ao jornalismo investigativo esportivo, defende a mesma tese: a de que o desempenho da seleção na Copa do Mundo não está sendo o maior problema do futebol brasileiro.
“A atual seleção é uma equipe que reflete bem o atual estágio do futebol nacional: na grande maioria, jogadores medíocres, um ou outro razoável e apenas um craque, Neymar. Ser campeão mundial não é bem a questão. Por vezes, equipes nem tão boas assim conseguem algumas conquistas. O próprio Brasil, apesar de ter um time abaixo das expectativas, num dia atípico da Alemanha poderia ter vencido e depois, empolgado,
se sagrado campeão. Há a necessidade urgente de mudança na estrutura do futebol brasileiro, desde a gestão da CBF até a maneira dos clubes cuidarem das categorias de base, que hoje são verdadeiros balcões de negócios para enriquecer dirigentes e empresários”, acusa.
“Os pais também têm culpa, por não se importarem em colocar o futuro dos filhos, ainda garotos, nas mãos de marginais, gente que certamente ensinará aos jovens jogadores o que existe de mais obscuro no mundo do esporte. Tudo isso por um punhado de moedas, sem o menor pudor”, complementa.
Paulo Vinícius Coelho sugere intercâmbio maior com vinda de técnicos estrangeiros e clubes fortalecidos
A reestruturação não se faz apenas dentro da seleção brasileira, como a saída do treinador. Para o também comentarista da ESPN e colunista da Folha de São Paulo, Paulo Vinícius Coelho, os treinadores brasileiros necessitam de uma reciclagem e os torneios regionais sejam fortalecidos.
“Acho que o futebol brasileiro precisa de mais intercâmbio na parte de conhecimento. Trazer mais gente para conversar, levar profissionais para fazer cursos na Europa. A verdade é trabalhar mais. E reformar os campeonatos porque só com os clubes fortes você vai revelar jogadores bons, para depois tentá-lo manter o maior tempo possível no Brasil. Só assim formar uma seleção forte”, acredita PVC.
POSSÍVEL ‘LEGADO’ DA COMPETIÇÃO REALIZADA NO PAÍS PARA O FUTEBOL BRASILEIRO DIVIDE OPINIÕES
O assunto “legado” da Copa teve aspectos positivos para os jornalistas Paulinho e Paulo Vinicius Coelho. E duramente criticado por Mauro Cézar Pereira.
“Sem dúvida, a investigação sobre a Máfia dos Ingressos, que, se bem finalizada, pode abalar as estruturas de Fifa e CBF. Se os clubes tivessem coragem de romper com as torcidas organizadas, verdadeiro antros de marginais, outro legado interessante seria o de vender ingressos apenas pela internet, nominais, sem divisão de torcida”, comentou o blogueiro Paulinho.
Já Paulo Vinicius acena para a auto-estima brasileira.
“Deixou estádios que podem ser utilizados para o fortalecimento do futebol. E deixou o sentimentos que a gente pode fazer coisas legais. Provamos que nem tudo que se faz no Brasil é uma porcaria. A Copa do Mundo foi muito legal, tudo funcionou muito bem”.
Mauro Cezar Pereira detona otimismo, Confederação Brasileira e pergunta: Que legado?
“Estádio novo é legado? Construído com dinheiro público é legado. Estádio particular construído com isenção fiscal do Corinthians, Atlético PR e Internacional, isso é legado? Os aeroportos melhoram significamente? Não. Um aqui outro ali, que poderia ser reformados independentemente da Copa do Mundo. Não precisaria de Mundial para fazer. Tem legado?Não vejo legado.”
Mauro Cezar Pereira afirma que não adianta falar de reestruturação do futebol se no comando da CBF estão pessoas como José Maria Marin (atual presidente) e Marco Polo Del Nero (seu sucessor).
“Não adianta discutir. Nada vai acontecer. José Maria Marin não vai renunciar. Marco Polo Del Nero não vai renunciar. Então, nada diferente vai acontecer. Não adianta dizer que temos que mudar a estrutura do futebol seguir o modelo dos alemães. Nada vai acontecer. Várias coisas poderiam ser feitas, CBF fomentando o futebol pelo país, campeonatos mais organizados, técnicos passando por reciclagens, ingressos mais acessíveis. Várias coisas devem e podem ser feitas, mas nada vai acontecer. Estes dirigentes não vão renunciar. A não ser se aconteça uma intervenção superior, do governo. Não sei se seria bom também. Estamos todos ferrados. Não temos para onde correr”, diz.
“Eu acho que se o governo tivesse lampejo de entrar na CBF e afastar quem está no poder, encontrando uma brecha na lei que desse motivo para isso, fosse capaz também de encontrar uma pessoa para gerenciar o futebol brasileiro”.


