André Negão, diretor administrativo do Corinthians, nas horas vagas, Empresário da Sorte, intermediou a transação de Defederico para o Corinthians.
A comissão da transação foi de R$ 400 mil.
Para isso utilizou-se de um testa de ferro.
Ricardo Agnelo D’Ângelo, seu professor de gestão esportiva na Faculdade DRUMMOND, parceira do Corinthians.
Os outros nomes citados na negociação serviram apenas para oficializar e passar um “pano” no negócio.
O testa de André Negão, além de professor, é empresário de atletas, mas não possui licença da FIFA, motivo pelo qual outros assinaram a transação oficialmente.
Possui uma empresa, AK Sports, localizada no bairro da Mooca, próxima ao Juventus, em sociedade com Sérgio Vertello, ex-atleta, e Wagnão também professor de André Negão, na mesma instituição.
Luis Paulo Rosenberg, que evidentemente sabe de tudo, apenas viabilizou financeiramente a negociação.
Enquanto isso, o delegado Mario Gobbi, que disse desconhecer a ação de bicheiros em seu departamento, finge nada ver.
Confira abaixo as conversas que mantive com as partes citadas.
Primeiro com o empresário Ricardo Agnelo D’Ângelo, que me procurou após levar um calote de sua parte no negócio.
Depois com André Negão, a quem peguei de surpresa, ontem, no Pacaembu, na presença de quatro testemunhas, entre elas Osmar Stabile, ex-candidato a presidente do Corinthians, que quase me implorou para deixá-lo “fora dessa”.
RICARDO AGNELO D’ANGELO
“Paulinho, o André apareceu com o DVD do Defederico e me pediu para fazer a negociação.”
“Sou professor dele na Faculdade DRUMOND, dou aula de gestão esportiva”
“Eles estão me enganando na comissão. Não me pagaram ainda. Ficou tudo acertado em R$ 400 mil, mas agora estão dizendo que deu problema… que entrou menos…”
“O André pediu para que a parte dele fosse depositada em uma entidade filantrópica de velhinhos… generoso, não ?” *
“Vou até a Argentina falar com os gringos, quero saber a verdade…”
“Não sou agente FIFA, por este motivo puseram os “caras” para assinar… FDP ficaram dando entrevista como se tivessem feito tudo… na verdade o trabalho, a negociação, foi toda minha…”
“O Rosenberg é malandro… claro que sabia… mas entrou na jogada apenas no final, para viabilizar financeiramente… mas deu problema porque o Corinthians tem fama de caloteiro na Argentina, por este motivo imploraram para a NIKE adiantar o dinheiro…”
“Quero ver se consigo receber o que eles me devem… se não pagarem você terá uma baita matéria para postar” **
ANDRÉ NEGÃO
André Negão me abordou no Pacaembu com a ironia nervosa de sempre.
Disse que falo dele, mas não consigo pegá-lo.
Que meu sonho é “fazer jogo de bicho para ele”.
Foi ai que o peguei de surpresa, absolutamente desarmado.
Como testemunhas, Osmar Stabile, um dirigente do futebol amador, uma jornalista e outros sócios do Corinthians.
“Não te pego, André ? Quem é o Ricardo Agnelo D’Ângelo ?”,questionei.
“Não conheço”, respondeu.
“Defederico e Ricardo D’Ângelo te lembram alguma coisa ?” continuei.
O sorriso irônico de André Negão deu lugar a um olhar mais sério, quase medroso.
“Não sei do que você está falando” respondeu firme.
“E R$ 400 mil de comissão, refrescam a sua memória ?” “André Negão…caiu a casa… o cara é professor da sua Faculdade…” falei, deixando-o sem ação.
“O que você tem a ver com isso ? E daí ? Ele negociou mesmo…mas é um babaca…está cobrando comissão da venda do Defederico, mas quem fez foi meu outro professor…” “ Você não é o sabe tudo ? Esta você não sabia…foi o Wagnão, que negociou…o Ricardo era só o laranja…trouxa…”, declarou André Negão, com todo o “abuso” que a impunidade lhe permite.
“Você não é o bom… e daí que é meu professor… quero ver você provar que levei dinheiro…” finalizou.
“André, não tem problema… já provei que você é mentiroso… melhor ainda, você sabe que eu sei…
Prontamente retirei um cartão do bolso, do professor de André Negão, e dei a ele para verificar, na presença, é claro, das testemunhas.
Osmar Stabile também leu e manuseou o cartão.
Confesso, poucas vezes vi André Negão perder o rebolado, mas seu semblante entregava o que sua ironia tentava esconder.
Trouxe o DVD, negociou o atleta por intermédio de um “testa de ferro”, e foi beneficiário de grande parte do bolo.
Mesmo assim, sua ganância tratou por jogar a verdade em nossas mãos.
Nota do blog:
* Andre Negão é visto, freqüentemente, em uma entidade para terceira idade, na Candelária, próximo ao bairro onde tem seus comércios informais da SORTE.
** Ricardo D’Ângelo conseguiu se acertar com eles, não atendeu mais o telefone, e “desistiu” de me contar outros casos. Levando em consideração que meu compromisso com o público vem em primeiro lugar, e é a razão deste espaço ter a repercussão que tem, após a confirmação de André Negão, seria impossível não relatar esta negociata.
Ricardo Agnelo D’Angelo
