O Brasil segue financiando a gastança olímpica
Do JORNAL DO BRASIL
Por AUGUSTO NUNES
O Tribunal de Contas da União constatou que os organizadores dos Jogos Pan-Americanos do Rio estabeleceram um recorde de espantar qualquer especialista em desvio de verbas: o superfaturamento das obras passou de 1.000%.
A proeza comandada pelo Ministério do Esporte e pelo Comitê Olímpico Brasileiro, com a ajuda da prefeitura carioca, ofuscou outras façanhas de bom tamanho.
Entre 2004 e 2008, por exemplo, o Comitê Olímpico Brasileiro embolsou R$ 1,2 bilhão em recursos públicos. Em outros países, os recordistas tratariam de afastar-se do noticiário por algum tempo. Como isto é o Brasil, os craques não descansaram sequer nos feriadões do fim de ano, informou o Diário Oficial em edições sucessivas.
Entre o Natal e o Réveillon, o Ministro Orlando Silva e o presidente do COB, Carlos Nuzman, trataram de provar que, por aqui, a crise é mesmo uma marolinha.
Fazer do Rio a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é coisa que não tem preço.
Qualquer bolada parece troco se investida na candidatura que vai materializar o sonho de todos os cariocas.
Em busca de votos, é preciso investir, “no evento Sportaccord 2009, a ser realizado em Denver/Colorado”, a módica quantia de R$ 492.116,23, engolidos por “trabalhos de ação e preparação”.
É pouco diante dos R$ 7.380.106,54 exigidos pela “organização da Visita de Avaliação Técnica do Comitê Olímpico Internacional”, prevista para abril de 2009.
O dinheiro já está com o COB.
Parece muito diante dos R$ 276.247,04 aplicados na “ação de relações públicas internacional, por ocasião de entrega do Dossiê de candidatura em Lausanne”.
Não é: a campanha em favor do Rio não pode perder palanque nenhum.
Nem dispensar o apoio de assessorias e consultorias especializadas em mostrar o maior dos azarões com jeitão de favorito.
É por isso que a primeira verba do ano contemplou a “contratação de serviço de Consultoria Internacional especializada em Relacionamento e Marketing Institucional, visando à coordenação e o desenvolvimento da estratégia de Marketing Institucional”.
Tamanho da conta: R$ 2.312.359,83.
O Congresso continua achando que nada disso vale uma CPI.
É o Brasil.