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O Futsal e a kriptonita

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Por ROBERTO VIEIRA

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O que seria de Batman sem o Coringa?

Um menino mimado brincando de morcego pelas ruas de Gothan City.

O que seria de Super-Homem sem Lex Luthor?

Um alienígena sem função na Terra.

Só existe o herói quando existe o perigo imediato, o inimigo supremo.

Esquerda e direita.

Capitalismo e comunismo. Noite e dia. Atlético e Cruzeiro.

As goleadas da seleção brasileira de Futsal no campeonato mundial tornam-se banais diante da fragilidade dos adversários.

Exigem acrobacia dos locutores para manter telespectadores acordados pelas manhãs de outubro.

Quarenta gols em três jogos. Um contra.

Como se fosse a Hungria da década de 50 no futebol de campo.

Hungria que marcou 25 gols em seus quatro primeiros jogos no Mundial da Suiça.

Mas a Hungria enfrentou Alemanha, Brasil e Uruguai. Ossos duros de roer.

Nada que se compare com Ilhas Salomão, Japão e Rússia.

Alguém dirá que existe a Espanha. Que o Brasil não é campeão mundial desde 1996.

Mas a Espanha só existe com o sotaque tupiniquim de Daniel e Marcelo. A Russia com a ginga de Pula e Cirilo. A Itália com Adriano Foglia.

Sem eles, o Futsal permanece um esporte de um time só. Sem inimigos.

Um jogo com prazo de validade.

O Futsal ainda procura a sua kriptonita.

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