Desconfiei, como todos os que possuem um mínimo de inteligência, do empréstimo de Carlos Leite, empresário de Mano Menezes, para o Corinthians.
O clube alega que o dinheiro, R$ 600 mil, não contabilizados no balanço, foram utilizados para adquirir os passes de Eduardo Ramos e Wellington Saci.
O primeiro junto ao Anápolis e o outro com o Itumbiara, ambas as equipes de Goiás.
Mais uma vez faltaram com a verdade.
O documento apresentado no CORI, que teoricamente comprova a transação, contém alguns erros, talvez pela pressa em redigi-lo rapidamente, se é que me entendem.
Primeiro a data do empréstimo de R$ 500 mil consta como dia 07 de março de 2008.
O valor restante, R$ 100 mil, foi acertado no dia 25 de março de 2008.
Isso coloca por terra a mentira contada pela diretoria do Corinthians de que os valores foram emprestados pelo empresário visando a contratação dos atletas citados.
Elas aconteceram em maio, dois meses após a entrada do dinheiro na conta do clube.
Vale lembrar que, além de tudo, não contabilizaram o empréstimo nos balanços apresentados.
Desconfiei da transação.
Liguei para a Federação Goiana de Futebol.
Primeiro falei com o assessor de imprensa, Sr. Ítalo, que me atendeu com gentileza, mas disse que não poderia me fornecer as informações que precisava.
Insisti e consegui falar com um dos dirigentes da federação.
Convenci-o a contar a verdade.
E ela é mais uma vez de fazer corar.
O contrato de Eduardo Ramos terminou dia 15 de maio.
Antonio Carlos esteve em Goiás negociando a contratação do atleta.
Oficialmente teria fechado o negócio 14 dias antes do termino do contrato, o que já seria um absurdo, demonstração clara de burrice.
Com o vinculo vencido o Corinthians nada teria que pagar ao Anápolis.
Liguei para o vice-presidente de futebol do Anápolis, Alberto Henrique, para tentar obter informações sobre a transação.
Sr. Alberto, quero falar sobre o contrato do atleta Eduardo Ramos, negociado recentemente por sua equipe junto ao Corinthians. Em que data vencia o vínculo do jogador com seu clube ?
R: Por que você quer saber ?
É uma pergunta simples, tenho curiosidade em saber, até porque tenho certeza que não há nada a ser escondido nesse caso.
R: Estranho você perguntar isso depois de tanto tempo. O contrato dele venceu dia 15 de maio. O Corinthians acertou direto com ele.
Então o custo do atleta para o Corinthians foi zero. O Anápolis não tinha mais vinculo…só pode ter negociado os salários, estou errado ?
R: Eu não quero falar disso. Já te falei a data que terminou o contrato. Só quem pode falar de valores é o presidente do clube.
O senhor não sabe ? Que valores ? O senhor me disse que negociaram direto com o atleta.
R:Não estou autorizado a falar sobre isso, Só o presidente do clube.
Foi o Antonio Carlos que negociou ?
R: Fale com o presidente do clube
Tudo bem, qual o telefone dele ?
R: Não adianta te passar. Ele foi internado, não pode falar com ninguém.
Eu arrisco.
R: Não posso, ele está incomunicável.
O leitor inteligente, ao ler essas palavras, entendeu perfeitamente como transcorreu a negociação.
Na melhor das hipóteses houve incompetência.
Por que pagar para o clube por um atleta que teria seu vinculo liberado após 14 dias ?
Confira abaixo o BID da CBF que comprova a informação.
PROFISSIONAL
NACIONAL DEFINITIVO – ATIVO
SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA/SP – 00021SP
CONTRATO: 650268/SP
INÍCIO: 01/05/2008
FINAL: 31/12/2012
ATUALIZADO: 05/05/2008
PROFISSIONAL
NACIONAL DEFINITIVO – ENCERRADO
ANAPOLIS FUTEBOL CLUBE/GO – 00002GO
CONTRATO: 636366/GO
INÍCIO: 02/01/2008
FINAL: 15/05/2008
ATUALIZADO: 25/01/2008
O que aconteceu na verdade é que Antonio Carlos negociou direto com empresários do atleta e não precisou pagar nada pelo vínculo.
Nesse caso, onde foi para o dinheiro disponibilizado pelo Corinthians para a transação ?
São muitas as dúvidas.
A única certeza é a de que ela não foi transparente.
Quanto a Wellington Saci tentei entrar em contato com o presidente do Itumbiara, Sr. Euripes.
Na primeira vez uma moça atendeu seu celular e disse para que eu retornasse a ligação em 20 minutos porque ele estava ocupado.
Foi o que fiz por mais de uma dúzia de vezes.
Ninguém atendeu.
É compreensível.
Como explicar o inexplicável ?