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Os homens têm que ser reeducados

Rogério Caboclo

De O GLOBO

Por NELSON MOTTA

No caso Caboclo nem cabe o clássico não vamos prejulgar, temos que respeitar o direito de defesa’, está tudo gravado e é indefensável

O que pretende um homem que diz as grosserias e cafajestices que Rogério Caboclo disse para tentar conquistar a sua funcionária na CBF? Que tipo de mulher se sentiria seduzida por uma “cantada” dessas? Qual é o tesão de oprimir e constranger uma subalterna mais fraca e, apesar de todas as negativas educadas, insistir no assédio? Que homem acha bom ter sexo com alguém que o despreza? Que otário esperava que ela dissesse “o.k., você venceu, vamos lá que eu vou dar para você, meu príncipe”?

Os homens precisam ser reeducados, no cacete, em benefício próprio e das suas filhas, netas, irmãs, esposas e amantes. Papo reto em estilo bíblico: “Não façais às filhas dos outros o que não quereis que façam com as vossas”. Aviltar os seus objetos de desejo só demonstra estupidez e machismo tosco.

Homens, aprendam com este conselho feminino que circula nas redes:“Não vou te dar nem um beijo na boca sem antes dar uma trepada violenta com teu cérebro”.

Ou este, de outra reeducadora digital: “Afrodisíaco mesmo é saber usar a língua, para conversar, eu digo, se souber fazer rir então… não há preliminar mais potente que um bom papo”.

Uma outra ensina: “Não é um elogio, se eu me sinto constrangida; nem se eu me sinto desrespeitada, nem se eu me sinto violada. Se o seu elogio causa essas sensações, não é elogio, é assédio”.

Se o objetivo é conquistar mulheres, digo mulheres livres e independentes, os homens precisam mudar suas táticas. Cada conquistador tem a conquista que merece: bagaceiros atraem bagaceiras. Gente boa atrai gente boa. A velha crença diz que os homens gostam de olhar, são seduzidos pelo que veem; e as mulheres gostam de ouvir, são seduzidas por palavras e histórias, e como elas são contadas.

Claro que mulheres também se atraem pelo visual, assim como homens são seduzidos pelas palavras de mulheres, os tempos estão mudando, os valores estão em movimento, o machismo está sofrendo um desmonte por si mesmo, pelo ridículo, pela burrice, pela covardia, depois da explosão do Me Too, mesmo com eventuais exageros e cancelamentos.

No caso Caboclo nem cabe o clássico protelatório “não vamos prejulgar, temos que respeitar o direito de defesa”, está tudo gravado e é indefensável. O cara é culpadíssimo, com o silêncio cúmplice de seus vice-presidentes e diretoria. Assédio é crime. Não é caso de Conselho de Ética, mas de polícia. Ah, se fosse com minha filha … ou sua, leitor.

O cartola abusado é um perfeito exemplo de como não se comportar com as mulheres, de como ser tudo o que elas detestam, de como confundir virilidade com covardia, prepotência e preconceito.

Em recente e constrangedora pesquisa, 63% das mulheres disseram ter atingido o orgasmo em sua primeira vez com uma mulher. E só 7% na primeira vez com um homem. Nocaute.

Claro que a culpa não é das mulheres. Os machos estão perdendo terreno não só por desconhecer a mulher e suas mudanças, mas por não querer aprender com seus erros, apegados a velhos tabus de supremacia que atrasam a vida de todos os sexos.

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