Advertisements

Lágrimas de um Grenal

Por ROBERTO VIEIRA

Aos 11, 12 anos, costumava assistir jogos nas sociais da Ilha do Retiro com a camisa do Náutico sem medo algum na companhia de meu pai. Nada de insultos, nada de ameaças, era apenas uma criança apaixonada por futebol.

E eu não era o único.

Parece coisa de outro mundo, de outra civilização, de outro planeta, mas era apenas o reflexo de uma antiga sociedade com inúmeros defeitos e algumas qualidades.

Entre estas qualidades, a de não levar o futebol tão a sério, como guerra onde se deve matar ou morrer.

Este final de semana foi um final de semanas de lágrimas para uma criança gremista, culpada por portar uma camisa do Grêmio no setor colorado do estádio.

Pecado mortal, a camisa foi subtraída da criança em prantos.

Claro que o Internacional não é o único culpado do descalabro. As lágrimas poderiam acontecer em qualquer outro estádio, em qualquer outra torcida. Os torcedores colorados que fizeram a criança chorar não têm nada a ver com o Internacional de Figueroa e Falcão que nunca bateu em criancinhas.

As crianças gremistas do tempo de Figueroa e Falcão choravam nas derrotas, o que faz parte do futebol.

Que um guri, um piá não possa torcer livremente é antes de tudo um sinal. Sinal de uma sociedade doente, esquizofrênica, delinquente, débil mental.

Mas talvez, quem sabe, do mal se faça um bem, e os reais torcedores se unam para trazer de volta aos estádios a antiga inocência. Nem que seja por noventa minutos na próxima rodada do Brasileirão.

Inocência perdida, como a camisa tricolor rasgada em frangalhos nas lágrimas de um Grenal.

E nenhum gol vale a lágrima de uma criança na violência de uma partida de futebol.

Advertisements

Facebook Comments

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
Powered by
%d blogueiros gostam disto: