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Globo: o fim de uma rádio

Por ALOÍSIO VILLAR

Mataram a Rádio Globo..
Não dá para não pensar em assassinato o que estão fazendo com a Rádio Globo nos últimos anos. Começou com a demissão do Haroldo de Andrade e uma mudança brusca para tentar ser nacional violentando uma das premissas do rádio que é atender a sua comunidade.
Os erros foram se sucedendo. Em 2017 decidiram mudar radicalmente a emissora começando com a era da “Nova Rádio Globo” demitindo vários comunicadores históricos da emissora como Antonio Carlos e tentando transformar a rádio em uma tv sem imagem trazendo vários globais. Nomes fortes como Otaviano Costa, Fernanda Gentil e Adriane Galisteu desembarcaram na rádio.
Apesar de mostrar alguns programas interessantes e que curti como “Café das seis”, “Papo de almoço” e “Redação Globo” evidente que isso não daria certo. Quem quer ver global vê tv, quem quer ver tv advinha? Sim, vê tv que tem imagem. Acabaram com a AM, fizeram estúdio no Projac para aumentar a participação dos globais e adiantou nada. Muito pelo contrário, a rádio perdeu ainda mais audiência e viu o “velho” Antonio Carlos permanecer como líder de audiência, agora na Tupi.
Eis que os gênios que comandam a Rádio Globo decidiram radicalizar de ver, demitiram praticamente todo mundo, quase todos os comunicadores só mantendo os esportivos. Todos os globais foram demitidos, os programas acabaram, até o excelente “Popbola” foi de gaiato e nesse momento, enquanto a programação nova não estreia dia 15, a Globo apenas é uma rádio que toca música 22 horas sem parar com intervalo de duas horas para o “Globo Esportivo”
Foi constrangedor ver o fim da programação. Os comunicadores constrangidos se despedindo de seus ouvintes, alguns emocionados ao ponto de quase não conseguirem terminar seus programas, fingindo satisfação e agradecendo a rádio pela oportunidade quando todo mundo sabe, nós e eles principalmente, que essa é uma atitude idiota, suicida e que não dará certo.
Não dará certo porque quem comanda a rádio nessas últimas décadas não entende o tempo em que vive. Rádio nunca será nacional, para isso tem rede de televisão, rádio AM como era a Globo serve pra transmitir futebol e fazer companhia a dona de casa enquanto ela faz o almoço e ao porteiro da madrugada. Não deu certo com os globais porque para acompanhar globais existe desde 1965 uma coisa chamada “Rede Globo” e hoje em dia tem as redes sociais onde você é capaz de acompanhar quaisquer dessas celebridades na hora que quiser.
Não dará certo sendo uma emissora musical porque as emissoras musicais já estão estabelecidas com seus públicos fiéis e aqueles que não são fiéis a emissoras de rádio tem aplicativos como o Sportfy onde ouvem suas músicas preferidas a hora em que quiserem sem depender de programação de rádio.
De novo não dará certo, como não deu quando fizeram a mesma coisa com a 98FM que virou “Beat 98” tentando agradar um novo público, não deu certo e fechou. Eles tem o exemplo em casa e não aprenderam. Vai dar errado, vão acabar com a Rádio Globo em um futuro próximo, transformar em “Multishow FM” que também não dará certo até que só teremos o silêncio no dial.
É ou não é um assassinato?
Fico revoltado porque cresci com a Rádio Globo. Cresci acompanhando suas transmissões esportivas comandadas por José Carlos Araujo e Washington Rodrigues. Cresci ouvindo “Enquanto a bola não rola” e o histórico “Bola de fogo” comandado por Kleber Leite e que tinha a “Pensão da Cremilda”. Durante a semana comecei a ouvir o “Globo Esportivo” que começava com o diálogo entre Edno Zarife (Dono do grito “Brasil”) e o Apolinho que começava assim “E aí Zarifão?” “E aí Apolão?”, “Tudo bem Zarifão?” “Tudo bem Apolão. No pique!”, Depois 22 horas tinha o “Panorama esportivo” com Gilson Ricardo.
Passei a admirar a Rádio Globo em outros horários também. O “Show do Antonio Carlos” de manhã, os programas da madrugada que foram comandados por Silvio Samper, Antonio Luis entre outros e, claro, o inesquecível “Show da madrugada” com o Apolinho e Hilton Abi Rihan, programa que inventou o strip tease no rádio.
Rádio que acompanhou muitas das minhas madrugadas de insônia ou criando, que era meu despertador de manhã, que ficava no meu ouvido o dia inteiro e me fez feliz quando consegui sintonizar no interior do Mato Grosso em 92 quando me mudei para lá e em tempos pré internet virou uma forma de manter ligação com minha terra. Sempre depois das seis a rádio pegava e mesmo entre chiados conseguia ouvir e matar as saudades.
Rádio do “Comando Geral do Carnaval” com carnaval direto no dial por toda a folia e que assim fez solidificar meu amor pelo carnaval. Rádio que tive a felicidade de ir e falar em seus microfones duas vezes graças ao Popbola.
É essa grande companheira, uma das minhas melhores amigas que estão matando. É ou não é para ficar puto? Com certeza em algum lugar Roberto Marinho está furioso. Deram sua rádio para alguém que não entende de rádio. Para quem não ama rádio.
Eu amo rádio, amo a Rádio Globo e por isso a minha indignação.
Obrigado por tudo minha companheira, descanse em paz.
RIP Rádio Globo
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2 comentários em “Globo: o fim de uma rádio”

  1. Eles estão completamente perdidos. Infelizmente.
    A maneira que você acompanhava a rádio, era exatamente como eu fazia.

  2. Na juventude fui locutor de radio no interior de S.P como bico, sempre, desde adolescente trabalhei em banco. Portando quem conhece de radio só ouve AM. Mas parece que as “Ams” serão extintas, ouvi falar.

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