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O garotão bate um bolão

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Que pai não quer ver o filho brilhar entre os titulares? Pois Rossell chegou lá

Rossell era menino ainda quando chegou ao Banco do Brasil.

Adequou-se à posição, conquistada, diga-se, depois de passar pela peneira como todos os outros, titulares ou reservas.

O fato de ser filho de militar de alta patente não teve a menor influência, como não deveria mesmo ter.

Corria o ano de 2000 e quem mandava no pedaço ainda era Fernando, também ele filho de militar de alta patente, general por sinal, nome de craque, Leônidas.

Esse Fernando , diga-se de novo, estava onde estava sem protecionismo, escolhido, democraticamente, para ocupar o posto que ocupava.

Rossell continuava no banco e jogava seu jogo, discretamente, sem comprometer.

Assim permaneceu por 18 anos de carreira.

Cumpria religiosamente seu papel, sem brilho, mas com esforço e correção.

Fernando saiu, entrou Luiz que ficou por longos oito anos mandando no pedaço, até que foi trocado por uma mulher, imagine!, uma tal Dilma, que acabou por tropeçar no salto e substituída por Michel, de fino trato, criado nas docas de Santos.

Santos, terra do Rei Pelé.

Rossell (não confundir com o ex-presidente do Barcelona, que é Rosell, com um s apenas), seguiu na sua vida, seguro na posição, se achando, às vezes, injustiçado, mas com o futuro garantido.

Uma cabeçada aqui, outra ali, eventualmente uma canelada, fazia poucos gols, mas fazer gol não era sua função.

Nessas alturas do campeonato, o pai já era general, embora de pijama porque andou falando coisas que não deveria ter dito e foi mandado para casa mais cedo do que desejava.

Rossell sempre no banco, Rossell ora em campo, e o pai enveredou pelos caminhos da política, legitimamente, reitere-se, porque vivemos numa democracia, de instituições sólidas, mesmo que, admitamos, algo seletivas.

Homem de posições fortes, a exigir moralidade, conduta reta, papo reto, fã em alto e bom som de Ustra, o ultra, um companheiro da caserna, mais para amargo que para doce.

Vai daqui, vai dali, apareceu Jair e o pai de Rossell, na falta de tu, foi tu mesmo, para tabelar com ele, dupla de ataque —e bote ataque nisso.

Beleza!

O pedaço estava convulsionado, a ponto daquele Luiz ter sido recolhido em nome da moralidade, alijado do jogo, e indicado um suplente para seu lugar, outro Fernando — e novo Fernando seria demais, como se constatou.

Jair, vítima de jogo bruto, brutal, brutíssimo, ficou impossibilitado de medir forças com seus concorrentes, mas, sempre em nome de Deus, da família e dos bons costumes, teve a preferência incontestável do pedaço e tomou conta de norte (menos) a sul, de leste a oeste.

Jair, mais um nome de craque, tinha até motorista bom de negócios —e de silêncios.

Rossell continuava em sua vida pacata, modesta, com salário respeitável para os padrões do pedaço, coisa de 12 mil moedas por mês.

Novo mandachuva, reformulação de cima a baixo, apareceu esperto cartola no time de Rossell.

Que logo no primeiro dia deu-se da conta da injustiça que por incríveis 18 anos prejudicou a carreira dele.

“Como ninguém o promoveu antes?”, perguntou perplexo.

E imediatamente trouxe Rossell para a linha de frente, ao seu lado, com todos os méritos acumulados em quase duas décadas, e, é claro, com direito a triplicar seu salário, de 12 mil para 36 mil moedas.

Afinal, o filho de Mourão bate um bolão!

Gooooool do Brasiiiilll!!!

O resto é fofoca.

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