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O Flamengo é tipo uma Inglaterra

De O GLOBO

Por MARCELO BARRETO

Se nenhum título vier para o Flamengo, é preciso saber ser Inglaterra e continuar trabalhando, em vez de jogar o progresso fora

Virei fake news! Uma frase que disse no “Redação Sportv” de quinta-feira foi publicada pelo site do canal e seguiu o caminho das redes sociais: retuitada, comentada e compartilhada em grupos de WhatsApp. Um desses envios voltou para mim e não o reconheci: “O Flamengo é tipo uma Inglaterra da Libertadores. Ganhou uma vez com arbitragem polêmica e acha que é favorito sempre”.

Basta uma consulta rápida ao site do Sportv para achar o erro: no comentário original, não existe menção à arbitragem polêmica. Até mostramos, no programa da véspera, imagens do jogo extra contra o Atlético-MG no Serra Dourada, encerrado com as expulsões de José Roberto Wright. Mas o episódio não se aplica ao raciocínio — da mesma forma que é inútil tentar entender por que uma pessoa se dispõe a alterar o conteúdo do que outra falou.

A comparação original — que já aborreceu muita gente mesmo sem o acréscimo desnecessário — tinha como objetivo mostrar que não basta ser grande para ser favorito. É preciso construir uma tradição dentro da competição, como em momentos diferentes fizeram Santos, São Paulo e Grêmio, os brasileiros com mais troféus da Libertadores na estante.

O título do Flamengo foi conquistado — pelo maior time da história do clube — há muito tempo. É mais velho não só do que todos os jogadores do atual elenco, mas também do que o treinador Maurício Barbieri. O que Zico, Júnior e outros craques fizeram há 37 anos é um orgulho até para quem não viu, mas acrescenta exatamente zero às chances nesta temporada.

Com a reestruturação financeira dos últimos anos, um passo importante já está sendo dado: aumentar o número de participações. Hoje, é difícil imaginar o Flamengo chegando ao fim do ano sem garantir vaga na Libertadores. E no cenário atual, insistir é preciso. Desde 2007, nenhum clube foi campeão mais de uma vez. E quatro dos 11 que conquistaram o título o fizeram pela primeira vez, incluindo dois gigantes brasileiros, o Corinthians e o Atlético-MG.

A comparação com a Inglaterra, inventora do futebol, não tinha como objetivo diminuir o Flamengo, e sim mostrar que tradição não garante favoritismo. Para os ingleses, nem mesmo ter a liga mais organizada do mundo desde o começo dos anos 90 aumentou as chances de a seleção conquistar o segundo título de sua história. Mas eles são pacientes: em 2018, o quarto lugar conquistado por um jovem English Team na Rússia foi recebido mais com esperança do que com frustração.

Não é o que deve acontecer com a torcida do Flamengo caso o time não consiga a proeza de superar uma desvantagem de dois gols para o Cruzeiro no Mineirão. Até lá, ainda será preciso passar por um jogo difícil contra o Grêmio no Maracanã e decidir entre poupar jogadores ou lutar pela liderança recém-perdida do Brasileirão (chegar a agosto em primeiro lugar, no cenário peculiar do futebol brasileiro, provou-se um fardo, em vez de uma vantagem). Se nenhum título vier, é preciso saber ser Inglaterra e continuar trabalhando, em vez de jogar o progresso fora.

A comparação era essa, mas cada um entendeu —e até alterou — como quis. Vai que um dia alguém atribui a autoria ao Veríssimo. Aí vai ser a glória.

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