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Juninho e Dudu: semelhanças, interesses e hipocrisia

Juninho e Dudu

Na última semana, o Corinthians, somente por conta da pressão do torcedor, deixou de contratar o jogador Juninho, acusado, em 2017, de agredir a namorada.

Se as redes sociais não tivessem se manifestado, o atleta já estaria no Parque São Jorge.

Ou seja, a Nota Oficial do clube, que atribui o desfecho do episódio à suposta política alvinegra de respeito às mulheres não passa de ficção, de gente que ainda tentou levar vantagem ao se aliar ao consenso popular.

Tempos atrás, mais precisamente em 2013, fora da pressão da internet e de grupos que lutam contra agressores, o jogador Dudu, que já era famoso e jogava na Ucrânia, foi preso em flagrante, aparentando alterações, sob acusação de agredir a sogra e a esposa – que havia acabado de gerar o segundo rebento do casal, sendo enquadrado na Lei Maria da Penha.

Dois anos antes, o atual astro palestrino, ainda no Cruzeiro, comunicou a direção do clube de que seu primeiro filho, então com quatro meses, teria sido sequestrado.

A Polícia suspeitou, à época, que o casal teria forjado a operação, motivada, dizem, por dívida com gente da pesada em Minas Gerais.

Mesmo com todo esse histórico, Dudu, por estar sob as asas de empresário mais bem relacionado, com dirigentes e imprensa, foi contratado, em 2015, pelo Palmeiras, por R$ 19 milhões, com direito a comemoração de torcedores, que, mesmo sabedores deste passado, pouco se importaram.

Antes, mas depois do episódio de agressão, havia passado pelo Grêmio e teve Corinthians e São Paulo tentando sua aquisição, o que demonstra, mais uma vez, a discrepância do discurso da diretoria alvinegra (os mesmos de hoje) com a realidade dos fatos.

Somente o Internacional teve coragem de, após manifestar interesse em Dudu, retirar-se do negócio alegando não contratá-lo pelo histórico de confusões.

Se entre torcedores observa-se que a “indignação” com agressores de mulheres manifesta-se, com mais rigor, apenas quando amparada em ações de marketing, como o “#respeitaasminas”, utilizada pelo Corinthians, no ambiente da mídia não há muita diferença.

Pouco foram os veículos de comunicação que, antes da assinatura de contrato de Dudu com o Palmeiras, deram atenção ao passado do atleta (o Blog do Paulinho publicou duas matérias à respeito), e, mesmo assim, quem “se atreveu”, foi detonado nas mídias sociais, composta pelos mesmos que, na última semana, indignaram-se com o episódio Juninho.

Há muito caminho ainda a ser percorrido no Brasil na luta contra os que insistem em preservar a reputação, de acordo com interesses e conveniências, dos agressores de mulheres, seja na cultura popular – que não pode se levantar em indignação somente após estímulo massificado, mas também nos veículos de comunicação, que tratam com pesos e medidas distintas episódios bem assemelhados.

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