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A fórmula do fracasso

De O GLOBO

Por MARTIN FERNANDEZ

Nas últimas sete eliminações do Flamengo, o técnico tinha menos de um ano de trabalho

É preciso voltar 25 anos para encontrar a última campanha digna do Flamengo na Copa Libertadores. Naquele 1993, o jovem time de Júnior Baiano, Marcelinho Carioca e Nélio foi eliminado nas quartas de final pelo São Paulo de Cafu, Raí, Müller, a máquina de jogar futebol que reteve o título continental do ano anterior e conquistou o bicampeonato do Mundial de Clubes.

De lá para cá foram sete participações do Flamengo no principal torneio de clubes da América do Sul, com quatro eliminações na fase de grupos, duas nas oitavas de final e outra nas quartas de final. A atual jornada rubro-negra pela América está seriamente ameaçada após a derrota para o Cruzeiro por 2 a 0 no Maracanã. A partida de volta será no dia 29, no Mineirão.

Quem toma decisões no clube faria bem se revisitasse os fracassos das duas últimas décadas. São incontáveis os fatores que contribuíram para cada uma dessas decepções: presidentes de várias correntes políticas, times formados por garotos, times cheios de medalhões, técnicos novatos, técnicos consagrados, ingressos caros, ingressos baratos, finanças caóticas, finanças em ordem.

O que une todas as eliminações do Flamengo na Libertadores é a falta de uma ideia clara de jogo, a ausência de qualquer norte tático, a inconstância no banco de reservas. Tudo isso sintetizado num único dado: em todas as decepções, o treinador do time não tinha completado um ano de clube.

Em média, os técnicos rubro-negros tinham seis meses de trabalho quando caíram na Libertadores. Zé Ricardo até chegou perto em 2017, mas a derrota para o San Lorenzo veio antes do primeiro aniversário no cargo. No outro extremo, Rogério Lourenço tinha 15 dias como técnico quando seu time foi eliminado pela Universidad de Chile em 2010.

A única receita que o Flamengo sempre seguiu é a que dá errado. Para 2019, talvez fosse o caso de variar.

Ainda não há ferramenta mais eficiente do que tempo para moldar uma maneira de jogar, criar variações táticas, ensaiar jogadas, preparar o grupo para desfalques e circunstâncias emergenciais em partidas decisivas. Formar um time, enfim. O duelo desta semana no Maracanã deixou evidente o tamanho da diferença que há, neste tipo de instância, com este tipo de pressão, sob este tipo de exigência, entre o Flamengo de Maurício Barbieri (quatro meses de trabalho) e o Cruzeiro de Mano Menezes (dois anos).

Para citar o mesmo Telê que deixou o Flamengo pelo caminho em 1993: “Um técnico leva seis meses para conseguir mudanças essenciais num time”. Aquele São Paulo começou a ser formado em 1990. A paciência com treinadores também é traço comum dos últimos três clubes brasileiros que conquistaram a Libertadores.

Tite chegou ao Corinthians em outubro de 2010 e triunfou 21 meses depois; Cuca teve dois anos de trabalho com o Galo antes de ganhar em 2013; Renato Gaúcho foi contratado pelo Grêmio 14 meses antes do título de 2017. Antes de montar times autorais e vencedores, os três sobreviveram ao tipo de “crise” que, na Gávea, costuma resultar em demissão de técni co.

É a fórmula do sucesso? Claro que não. Mas é a única que o Flamengo prefere não tentar.

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1 comentário sobre “A fórmula do fracasso

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