Um abraço para Nikola Kalinic

Nikola Kalinic disputa amistoso entre Croácia e Senegal antes da Copa do Mundo

Da FOLHA

Por RICARDO ARAÚJO PEREIRA

É raro alguém cometer uma idiotice tão grande que até a história resolve aplicar um castigo

Aos 86 minutos do primeiro jogo da Croácia na Copa do Mundo, o selecionador Dalic deu ordens para que Mandzukic fosse substituído por Kalinic.

O episódio não tem qualquer espécie de “gravitas” por causa dessa maldita mania de todos os nomes acabarem em ic. Parece que é um bêbado quem está a contar a história e vai soluçando ao longo do relato.

Mas aconteceu o seguinte: Nikola Kalinic se recusou a entrar em campo, alegando dor nas costas. Dalic desconfiou que o jogador estava apenas insatisfeito por entrar tão tarde no jogo e mandou-o para casa.

Nesta quarta-feira, quando a Croácia se qualificou para a final, lembrei-me de Kalinic.

Se tinha dores nas costas, devia ter entrado; se tinha dores no orgulho, devia ter entrado ainda mais depressa.

Agora, vai ocupar um lugar ao lado de outros desconhecidos como Stuart Sutcliffe, o baixista de uma certa banda de Liverpool que estava a fazer uma digressão por Hamburgo.

Sutcliffe decidiu ficar por lá para se dedicar à pintura.

Os seus amigos John, Paul e George voltaram para Inglaterra, convidaram um baterista chamado Ringo e obtiveram algum sucesso.

Já todos fomos idiotas.

Mas é muito raro alguém cometer uma idiotice de uma dimensão tão grande que até a história resolve aplicar um castigo.

Os ingleses padecem de um mal semelhante. A sensação que temos é que eles se dedicam a inventar desportos que depois o resto do mundo pratica melhor.

Os indianos são melhores no críquete, os neozelandeses são melhores no rúgbi, vários países são melhores no futebol.

Passaram toda a Copa a cantar “football is coming home”, o futebol está voltando para casa. Na verdade, descobriram nesta quarta, não estava.

Aliás, é óbvio que o futebol fugiu de casa por uma boa razão. Era maltratado. Só chutão para a frente e corrida, coitado.

Agora temos uma final inédita: França x Croácia.

A minha escolha está feita: os croatas jogaram três vezes a prorrogação. Ou seja, chegam à final com mais um jogo nas pernas e menos um jogador no elenco.

Merecem. Se houver justiça, a sorte será tão amiga deles quanto foi cruel para Kalinic.

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