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Gilmar não deixou Paulo Preto na estrada

De O GLOBO

Por BERNARDO MELLO FRANCO

Paulo Preto deixou as sombras na campanha de 2010, quando a revista “IstoÉ” narrou um episódio inusitado. Responsável por grandes obras no governo paulista, ele era acusado de sumir com R$ 4 milhões do comitê de José Serra. Como o dinheiro pertenceria ao caixa dois, o tucanato preferiu deixar para lá.

Em debate na TV, a candidata Dilma Rousseff questionou o rival sobre o desfalque. Serra não respondeu. No dia seguinte, repórteres repetiram a pergunta. “Não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar”, escapuliu o presidenciável.

A declaração irritou o apanhador do PSDB bandeirante. “Não somos amigos, mas ele me conhece muito bem”, ele reagiu. “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro”, acrescentou.

A ameaça ajudou Serra a recuperar a memória. “Evidente que eu sabia do trabalho do Paulo Souza, que é considerado uma pessoa muito competente”, corrigiu-se. “A acusação é injusta. Ele é totalmente inocente”, afiançou.

No ano passado, a Lava-Jato ressuscitou o fantasma de Paulo Preto. Delatores da Odebrecht contaram que ele organizava o cartel das empreiteiras e recolhia propina para o partido. O operador Adir Assad relatou entregas de dinheiro ao engenheiro. Disse que sua casa tinha até parede falsa para esconder o ervanário.

Em fevereiro, soube-se que o apanhador tucano guardava R$ 113 milhões na Suíça. Ele foi preso em abril, acusado de desvios no Rodoanel e na Marginal Tietê. Na quarta-feira, a colunista Mônica Bergamo informou que o engenheiro pensava em delatar os chefes. Na sexta, o ministro Gilmar Mendes mandou soltá-lo.

Ferido na estrada, Paulo Preto ameaçava carbonizar o senador Serra e o chanceler Aloysio Nunes. Também tinha potencial para torrar a candidatura de Geraldo Alckmin, primeiro governador a nomeá-lo diretor da Dersa.

A canetada do supremo ministro é a terceira camada de blindagem aplicada ao presidenciável em 30 dias. No mês passado, a Procuradoria-Geral da República livrou o tucano da Justiça Criminal. Na quarta-feira, o procurador-geral de São Paulo, Gianpaolo Smanio, retirou outro inquérito do gabinete de um subordinado. Estranhamente, alegou que Alckmin teria foro privilegiado, embora ele não seja mais governador.

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