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Banco parceiro do Corinthians tem histórico pra lá de suspeito no mercado

“Para o economista, o nível ótimo de corrupção não é zero… porque toda vez que eu elimino um foco, uma atividade corrupta, eu incorro num custo… e se esse custo é maior do que eliminar aquele tipo de corrupção, a economia recomenda que não faça…”

“Mas e a ética ? Não… estou te falando aqui como economista…”

(LUIS PAULO ROSENBERG)


Na última semana, o Corinthians anunciou a comercialização de patrocínio das mangas de sua camisa com o AGIBANK, sem divulgar, porém, os valores da operação.

A previsão orçamentária do clube fala em R$ 9 milhões, mas fontes de mercado garantiram que o acerto se deu próximo de R$ 5 milhões.

Há três dias, o Banco Central mandou liquidar as operações do banco “NEON”, que opera no mesmo sistema do AGIBANK (pela internet), por “graves violações” da legislação e também das regulamentações do sistema bancário.

A investigação segue com os demais bancos “digitais”.

O Blog do Paulinho soube, ainda, que o diretor de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, com histórico de condenações ligadas à fraudes bancárias, responsável pelo acerto com o AGIBANK, trabalha, nos bastidores, para que a empresa “compre” a dívida do clube nos contratos envolvendo o estádio de Itaquera, tornado-se, assim, a única credora do alvinegro.

Apesar da improbabilidade do negócio, até pela irrelevância do AGIBANK, que sequer possui capital aberto – ingressou, há uma semana (em 30 de abril) na CVM com prospecto de IPO – coincidentemente no período de acerto com o Corinthians – vasculhamos a história do banco, de seu proprietário e descobrimos relações conturbadas, algumas investigadas pelo Ministério Público Federal


AGIBANK e AGIPLAN

Marciano Testa

O AGIBANK, com este nome e operações inteiramente digitais, surgiu apenas em março de 2018, tendo como proprietário o empresário Marciano Testa, que, nas horas vagas, pratica automobilismo.

Antes, operava com o nome AGIPLAN, radicado no Rio Grande do Sul, com autorização apenas para realizar empréstimos no mesmo sistema da CREFISA e de tantas outras “financeiras” conhecidas pela prática do crédito consignado, invariavelmente a juros extorsivos.

A empresa chegava a cobrar quase 20% ao mês em boa parte das operações.

Neste período (2011 a 2016), a AGIPLAN foi objeto de 320 ações judicais (destas, 231 em território gaúcho, além de 67 em São Paulo).

Na mais recente, com decisão de janeiro de 2018, Marciano Testa, como gestor da financeira, foi condenado a indenizar clientes que reclamaram de “venda casada” e má-fé.

Segundo despacho do juíz Wellington Urbano Marinho, da 1ª Vara Cicil de Suzano, a AGIPLAN aproveitou-se dos dados das pessoas que tomavam empréstimos para enviar-lhes, sem solicitação, cartões de crédito.


AGIPLAN e BANCO GERADOR

Desde 2011 operando como “financeira”, a AGIPLAN somente no dia 05 de maio de 2016 (há apenas dois anos) transformou-se em instituição bancária, após controversa aquisição do Banco GERADOR, de Pernambuco, que, falido e investigado pelo Ministério Público, repassou-lhe 100% das ações pela simbólica quantia de R$ 1 (um real).

A venda foi tão estranha que os ex-sócios do GERADOR, até os dias atuais, enfrentam-se, com acusações mútuas, na Justiça.

Paulo Sergio Macedo registrou queixa por estelionato e falsificação de documentos contra Antônio Lavareda, então gestor do banco nordestino.

O banco Gerador foi investigado, ao menos, em cinco oportunidades, por participação em esquema de fraude beneficiando alguns Prefeitos, quando empréstimos consignados eram tomados em nome de funcionários fantasmas, mas sacados, na realidade, pelos gestores dos Municípios.

Na Paraíba, três cidades teriam sido lesadas: Condado, Matinha e Santo André.

Em Pernambuco, os municípios de Umarizal e Jaboatão dos Guararapes

No caso de Umarizal, o MP emitiu a seguinte nota:

“No curso da investigação, restou evidenciada a existência de um “esquema” de desvio de dinheiro através do Termo de Convênio celebrado entre a Prefeitura Municipal de Umarizal e o Banco Gerador S.A, para a concessão de empréstimos consignados e financiamentos aos servidores ativos e inativos daquela edilidade, pelo qual foram firmados 109 empréstimos dessa natureza na Prefeitura de Umarizal, sendo liberado nas contas dos interessados o valor total de R$ 1.571.792,33, o que gerou um saldo devedor aproximado de R$ 2.043.625,34 atualizado até o ano de 2014.”
 
“Entretanto, dos 109 beneficiários dos empréstimos, 98 sequer fazem parte do quadro de servidores públicos do Município de Umarizal. Tais empréstimos tiveram início no ano de 2010, na gestão do ex-prefeito e um dos investigados, e prosseguiu, até meados do ano de 2013, portanto, no início da gestão do atual prefeito.”
 
“Segundo as investigações, os membros do grupo criminoso, de forma organizada e com divisão de tarefas, fraudavam contracheques e, após o depósito do dinheiro nas contas dos beneficiários por parte do banco, sacavam e transferiam o montante em benefício do grupo criminoso e para financiar a campanha eleitoral do candidato vencedor das eleições locais de 2012”

Apesar de, em entrevistas, o primeiro ministro do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, vender a ideia de que “daqui por diante” somente fecharia “parcerias” com empresas importantes, evidencia-se pelo histórico do AGIBANK que, além de irrelevante no mercado, o grupo tem origem recente e suspeita.

Não à toa o Banco Central vem investigando, e fechando, empresas com perfis semelhantes, que não garantem segurança aos clientes captados.

O próprio Banco GERADOR, originador do AGIBANK, teve ordem de liquidação expedida pela BACEN, razão pela qual as ações foram comercializadas por quantia simbólica (Um Real).

Marciano Testa, dono do “parceiro” alvinegro, conheceu Luis Paulo Rosenberg no mercador financeiro, ambiente em que ambos possuem reputação controversa.

Se existe risco em fechar patrocínio com esse tipo de empresa (o Corinthians tem sido vítima de sucessivos calotes em acordos recentes), pior seria se, apesar de improvável, o acordo para repassar as dívidas do estádio fosse, de fato, concretizado.

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