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Carta ao Moro brasileiro

Da FOLHA

Por RENATO TERRA

Meus amigos e minhas amigas,

Nunca antes da história deste país, um presidente precisou escrever duas cartas. Em 2002, o mercado estava mais assustado do que a Regina Duarte. Agora, quase 16 anos depois, quem precisa de um Rivotril é o Judiciário.

Eu fiz o melhor governo da história deste país. Ou seja: da Bolsa de Valores ao Bolsa Família, todo mundo tirou o atraso. Ganharam os garis e ganharam os banqueiros. E, claro, ganharam Marcelo Odebrecht, Nestor Cerveró, Zé Dirceu, Sérgio Cabral e uma turma grande que não cabe aqui.

Eu ganhei a maior acusação que este país já conheceu.

Em seu relatório, o juiz de primeira instância Sergio Moro foi incapaz de mostrar uma evidência sequer de que o correto é tríplex e não triplex. Em 238 páginas, não há um fato concreto que me ligue a Luiz Inácio da Silva. Meus pedalinhos, comprovei, são constitucionais.

Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Galvão Bueno não foram capazes de criar melhores metáforas futebolísticas do que eu neste país.

Tentar marcar o meu governo pela corrupção é como anular o Campeonato Brasileiro do Corinthians por causa do gol de mão do Jô. O Corinthians, aliás, fez o melhor Campeonato Brasileiro da história deste país.

Os juízes do TRF4 terão que colocar a mão na consciência antes de punir toda a torcida do Timão.

Um recado final:

Aos militantes que sempre me apoiaram, um Brasil com 247 abraços para cada um de vocês.

Aos eleitores que se sentiram traídos pelas denúncias, pelas fotos com o Léo Pinheiro no tríplex, pelos apoios recentes que dei a Renan Calheiros e Sérgio Cabral, deixo os versos cantados por Alexandre Pires: “Tô fazendo amor com outra pessoa / Mas meu coração / Vai ser pra sempre seu”. #pas

Seguirei, de pés descalços, minha caminhada. Nasci numa família pobre, passei fome e consegui realizar o milagre da multiplicação de pães neste país. Ressuscitei muitos Lázaros. Passei muitos sermões no Planalto Central.

Alguns me atiram pedra, outros tentam me crucificar.

O fato é: eu voltei.

Para efeitos legais, esta carta não foi escrita por mim, mas por um amigo.

Assinado,

Jesus Cristo

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