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Caso Celso Daniel: preso por Tuma Jr. acusa ex-delegado de cobrar para soltá-lo e de forjar cativeiro

“(…) falaram que eu tinha matado Celso Daniel… (…) é imperdoável o que fizeram comigo…”

“(…) chegaram quatro Comodoros pretos, sem placa, todos com vidros fumês… e já desceram de dentro do carro: “mão pra cabeça, todo mundo…”

“(…) o Tuma me perguntou quem era o dono do estabelecimento… eu falei “sou eu””

“(…) eles queriam R$ 50 mil para abafar tudo, que foi um engano que me prenderam, sem ter certeza que era eu… (policiais teria falado) “foi um engano.. dá R$ 50 mil e nós soltamos vocês… o seu trio…” não foi trio que eles falaram… “você e a sua máfia””

(Sr. Elino Carvalho, preso por engano pelo então delegado ROMEU TUMA JUNIOR, nas apurações do “Caso Celso Daniel”


No dia 18 de janeiro de 2002, o então Prefeito de Santo André, Celso Daniel foi sequestrado, em São Paulo, sendo encontrado morto, dois dias depois, com marcas de tortura, num crime tratado como nebuloso até o presente momento.

Mais obscura ainda foi a conclusão das investigações policiais: crime comum, absolutamente contestada pelo Ministério Público de São Paulo.

O delegado responsável pela investigação era Romeu Tuma Junior.

Após a “conclusão” do inquérito, sete pessoas, entre testemunhas e possíveis partícipes do caso foram encontradas mortas em condições não explicadas.


Prisões equivocadas, cativeiro forjado e cobrança de R$ 50 mil para soltar suspeito

No ímpeto de encontrar os responsáveis pela morte de Celso Daniel, o delegado Romeu Tuma Junior cometeu erro gravíssimo, que, tudo indica, foi decisivo para dificultar as investigações.

Os investigadores, logo após encontrarem o corpo do ex-Prefeito, receberam a informação de que a quadrilha contratada para sequestrá-lo era oriunda da favela Pantanal, na Zona Sul de São Paulo.

No rastro do cativeiro, os policiais avistaram, à beira da estrada, um pesqueiro nomeado “Pantanal”, com dois veículos considerados suspeitos parados no local.

Todas as pessoas foram presas.

O dono do pesqueiro, Sr. Elino Carvalho, em entrevista à Rede Record, revelou:

“falaram que eu tinha matado Celso Daniel… (…) é imperdoável o que fizeram comigo…”

“chegaram quatro Comodoros pretos, sem placa, todos com vidros fumês… e já desceram de dentro do carro: “mão pra cabeça, todo mundo…”

“o Tuma me perguntou quem era o dono do estabelecimento… eu falei “sou eu””

“(…) eles queriam R$ 50 mil para abafar tudo, que foi um engano que me prenderam, sem ter certeza que era eu… (policiais teria falado) “foi um engano.. dá R$ 50 mil e nós soltamos vocês… o seu trio…” não foi trio que eles falaram… “você e a sua máfia””

Sr. Elino diz ainda, que diante do evidente equívoco, os policiais, chefiados pelo Dr. Romeu Tuma Junior, teriam forjado a criação do cativeiro, para justificar, tudo indica, a operação:

“dois investigadores compraram os marmitex… com o mesmo carro, um Comodoro preto sem placa… compravam oito, dez marmitas… e jornal (para colocar no local)… disseram que ali era o cativeiro do Celso Daniel”

Descobriu-se, dias depois, que o verdadeiro local do cativeiro ficava a 20km. do pesqueiro Pantanal.


Tuma Junior processou a Rede Record e a vítima, presa por equívoco, que acusou-lhe de cobrar R$ 50 mil para soltá-lo

O agora advogado Romeu Tuma Junior, negando todo o teor da reportagem, processou a Rede Record e o Sr. Elino Carvalho, por quem foi acusado não só de cobrar R$ 50 mil para soltá-lo, após prisão indevida, mas também de forjar um cativeiro para Celso Daniel.

Pedia indenização por Danos Morais, além de exigir a retirada da matéria do ar.

A Justiça indeferiu todos os pedidos.

Tuma Junior foi condenado, ainda, a pagar R$ 3 mil de custas processuais.

Vale a pena clicar no link a seguir para ter acesso à integra da Sentença, em que o juiz Fábio Pando de Matos, além de compreender bem o caso, fez questão de relembrar a ineficiência da Operação Policial:

Romeu Tuma Junior vs. Record


MP-SP insinua que Delegados podem ter abafado as investigações

Roberto Wider Filho

Apesar de complexo, o inquérito do assassinato de Celso Daniel foi finalizado em apenas dois meses, sendo amplamente questionado pelos promotores do MP-SP, principalmente Roberto Wider Filho.

A conclusão: crime comum, não era compatível com os fatos.

Inconformada, a promotoria pediu novas investigações, que ficaram a cargo da Dra. Elisabete Sato, coincidentemente ligada a Romeu Tuma Junior e também a seu pai, o Senador Romeu Tuma, desde o sombrio período da Ditadura:

Resultado de imagem para tuma junior elisabete sato

Wider reclama, também em entrevista à Record, que a Dra. Sato encerrou as investigações com a mesma conclusão: crime comum, num relatório de apenas cinco páginas, em que procedimentos básicos de investigação teriam sido deixados de lado, entre os quais diligências e quebra de sigilo telefônico.

Nitidamente insinuando a possibilidade do caso ter sido abafado, não se sabe por questões políticas ou para esconder a incompetência da condução do inquérito – principalmente o episódio envolvendo Tuma Junior – o promotor diz que, para a polícia “tratou-se de crime sem planejamento realizado “a olho” pela bandidagem”

Noutra entrevista, ao UOL, Wider reiterou:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/05/09/policia-nao-quis-investigar-a-fundo-morte-de-celso-daniel-diz-promotor-do-caso.htm#fotoNav=35

“A morte do ex-prefeito foi a mando, não foi um homicídio aleatório, como diz a Polícia Civil. Para a polícia, o sequestro foi aleatório: escolheram qualquer um na rua e por azar pegaram o prefeito. Isso ficou completamente descaracterizado na investigação e na Ação Penal que se seguiu.”

“(…) a investigação se encerrou prematuramente. Eles não avançaram na investigação até para verificar se a versão dos integrantes da quadrilha era correta –e não era”

“A polícia aceitou passivamente a confissão dos integrantes da quadrilha. Não se aprofundou nos verdadeiros motivos e razões da morte”

“Parece-me que a Polícia Civil insiste na tese de crime comum por uma questão de honra, para provar que a tese deles estava certa”

(…) a doutora Sato, prematuramente, relatou o inquérito –com uma posição surpreendente, cometendo vários erros no relatório, um trabalho que não é do histórico dela– reafirmando a tese do DHPP”

Logo após o encerramento das investigações do “Caso Celso Daniel”, coincidentemente, o ex-delegado Romeu Tuma Junior, provavelmente num surto de amnésia, aproximou-se do PT e aceitou cargo no Governo, assumindo a Secretaria Nacional de Justiça.

A memória de Tuma teria sido recobrada somente após a demissão da pasta, acusado de facilitar a vida de Paulo Li, suposto agente da Máfia Chinesa, à tempo de relembrar, no controverso livro “Assassinato de Reputações”, malfeitos de Lula – a quem se juntou na política.


Tuma Junior expõe fotos de Celso Daniel morto e muda de opinião sobre o caso

Logo após o lançamento de “Assassinato de Reputações”, Tuma Junior passou discursar como se fosse um dos grandes líderes da direita brasileira, apesar de, em recente lapso, ter se revelado “homem de esquerda”, à TV UNG:

Mitomania: Tuma Junior distorce a história do país e atenta contra a Democracia, inclusive a Corinthiana

Por conta da aparência, participou de programa na internet, em que decidiu revelar em público o que, tudo indica, escondeu nos inquéritos policiais: as fotos de Celso Daniel morto.

No vídeo abaixo, Tuma muda seu entendimento de “crime comum” para “assassinato político”, exibe, como se fora perito, os caminhos do homicídio e diz que, “em respeito à família” do falecido, tampou o rosto do ex-prefeito de Santo André, apesar de expor-lhe o restante do corpo, nu e baleado.

Romeu Tuma Junior, acusado de cobrar propina para soltar vítima inocente, é candidato a presidente do Corinthians, com discurso de combate à corrupção.

ATUALIZAÇÃO (19h46m): Romeu Tuma Junior publicou, depois de nossa postagem, retratação do Sr. Elino Carvalo, que não era de conhecimento do blog, em ação criminal posterior à Civil, em que a suposta vítima defendeu-se mantendo as acusações (trecho da ação cível: “ELINO requer a improcedência do pedido, uma vez que não teve a intenção de atingir a honra do autor, mas apenas relatar fatos que lhe ocorreram na época de sua prisão, que considera injusta”). Este procedimento é usual quando o réu se arrepende do que falou ou deseja encerrar o processo sem desgaste de enfrentar, talvez, alguém mais poderoso na Justiça:

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